São Paulo, 28 (AE) - O governo poderá prorrogar o acordo automotivo emergencial. A possibilidade, que até agora vinha sendo enfaticamente negada pelo governo, poderá ser retomada como forma de evitar o agravamento dos problemas com o desemprego, que já estão afetando o setor, aliado, ainda, ao caso da Ford.
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, disse hoje que o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, aventou a possibilidade de renovação do acordo, numa conversa com o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto. Segundo Pereira, Pinheiro Neto telefonou para ele ontem (27) à noite para contar o resultado da conversa com Dornelles.
O ministro teria dito que considera muito difícil atender à reivindicação das centrais sindicais para inclusão da garantia de emprego na medida provisória do regime automotivo, que será reeditada amanhã (29). Por outro lado, Dornelles sugeriu que indústria e trabalhadores se reunissem para começar a negociar o programa de renovação da frota. E, antes disso, discutissem o acordo emergencial.
Criado para reduzir o impacto da crise e tentar aumentar as vendas, o acordo emergencial deveria terminar no final de agosto. O entendimento resultou na redução de IPI e de ICMS, em alguns estados, e congelamento de preços com garantia de empregos. O acordo teve duração de seis meses, tendo sido renovado em junho.
As montadoras ameaçam repassar aos preços, não apenas a elevação de impostos, mas também aumentos de custo. Isto resultaria num reajuste de preços de 8% a 15% nos automóveis, segundo expectativas do mercado.

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