Governo admite reajustar salário mínimo com base na inflação
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terça-feira, 16 de março de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 17 (AE) - Um dia após o PMDB anunciar que defenderia a reposição da inflação nos salários, o presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu a possibilidade de reajustar o salário mínimo, em maio, com base na inflação. Hoje, o PSDB reclamou ao presidente estar defendendo sozinho a manutenção dos salários nos patamares atuais. No final da manhã, Fernando Henrique recebeu no Palácio da Alvorada o presidente nacional do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho (AL), e o líder do partido na Câmara, deputado Aécio Neves (MG). "O presidente disse que irá analisar uma reposição salarial, mas lembrou que a prioridade é a estabilidade da moeda", disse Teotônio Vilela. Segundo ele, ainda existe uma preocupação adicional do governo sobre o impacto da reposição na Previdência, já que os benefícios são indexados ao salário mínimo.
O deputado Aécio Neves foi na mesma linha. "O momento é grave, mas pelo menos acho que é possível pensar a reposição salarial", comentou o líder tucano. Segundo Aécio, o que não pode haver é uma reindexação. Ele ressaltou que a discussão será exclusivamente em cima do salário mínimo. "Para os demais setores da economia e categorias poderá haver uma livre negociação", defendeu. O deputado tucano acha que reposição poderá ficar entre 4% e 6%. "O ideal seria uma compensação integral da inflanção durante o ano", observou Aécio.
Neste episódio, os tucanos acabaram sendo atropelados pelos peemedebistas. Isso porque a iniciativa do PSDB de pedir o reajuste salarial veio um dia depois de o presidente do PMDB, senador Jáder Barbalho (PA), ter exigido publicamente a reposição salarial. "Nem conheço a proposta do PMDB", declarou Aécio. "O PSDB assume o ônus de ser governo", completou. "Essa não é uma bandeira do PMDB, mas uma reivindicação legítima da sociedade", argumentava Teotônio.


