Brasília, 21 (AE) - O governo admitiu hoje que a recuperação das exportações no segundo semestre pode não ser suficiente para garantir o superávit de US$ 3,7 bilhões da balança comercial, projeção que consta do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, a substituição de importações será o principal fator na obtenção do superávit.
"Não acredito que o desempenho da balança comercial será favorecido com o aumento das exportações", afirmou o secretário. Ele previu, no entanto, que no próximo ano o superávit da balança ficará entre US$ 9 bilhões e US$ 11 bilhões.
Ao divulgar os dados do boletim macroeconômico referente ao comportamento da economia no primeiro semestre, Amadeo afirmou que a desvalorização cambial ocorrida em janeiro já promoveu a substituição de importações em vários setores da economia. Mesmo assim, segundo ele, ainda é preciso esperar para ver se a meta de superávit de US$ 3,7 bilhões é atingível. "A meta é difícil mas não impossível de ser cumprida", destacou.
De acordo com o boletim, a substituição de importações já é fato nos setores de bens não-duráveis (alimentação e higiene, por exemplo), semi-duráveis (vestuário e calçados) e intermediários (usados na fabricação de outros bens, como papelão e produtos químicos). "O nível de produção destes bens já é o maior desde o início de 98", disse Amadeo.
Por outro lado, o setor de bens duráveis, como as linhas branca (geladeiras e fogão) e marrom (eletroeletrônicos), automóveis e bens de capital ainda estão retraídos. "Nos deprimidos, a ênfase é no setor de automóveis", afirmou o secretário.
Ele estimou que a recuperação deste setor começa neste trimestre. Para o ano, o governo mantém a projeção de que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha uma variação entre -1% e 0.
Juros - Na avaliação de Amadeo, a queda das taxas de juros, como vem ocorrendo, será um dos principais fatores para esta recuperação. "Certamente os juros serão importantes para a retomada de produção dos bens duráveis", comentou. De acordo com o boletim do ministério, os juros reais hoje estão em 13% ao ano, menor nível desde março de 97. "Para quem vai tomar a decisão de investir ou de se endividar, a queda dos juros é muito importante", destacou.
No tocante aos prazos de financiamento, o boletim macroeconômico indica que, desde maio passado, eles começam a atingir os mesmos níveis de 98. No caso específico dos automóveis, por exemplo, em maio já era possível financiar a compra de um carro em no máximo 36 meses, mesmo prazo do final de 98.
Em relação aos demais bens, o prazo máximo chega aos 24 meses do final do ano passado. Mas o prazo médio é de 12 meses ante os 18 que eram conseguidos em 98.
Desemprego - Sobre o desemprego, que atingiu o seu pico em março passado, Amadeo destacou que o boletim confirma a tendência de queda. "A taxa de desemprego média será igual ou menor que a de 98", garantiu o secretário lembrando que, no ano passado, esta taxa ficou em 7,5% segundo os cálculos do IBGE. Dados de maio sobre abril comparados com o mesmo período do ano passado, comprovam a maior geração de emprego.
Este ano a oferta de empregos chegou a 170,3 mil postos contra os 82,7 mil de maio de 98. O setor de serviços foi o que mais contratou com o total de 107 mil. No mesmo período do ano passado, a oferta no setor de serviços ficou em 45,8 mil postos. A indústria de transformação absorveu 51,6 mil pessoas e o comércio 22,2 mil. No setor de construção civil, no entanto, foi registrada uma queda de 26,8 mil empregos.
Dos 170,3 mil empregados contratados em maio, somente 101,5 mil tiveram a carteira assinada e outros 49,6 mil aceitaram trabalhar informalmente. Naquele mês, 6 mil pessoas que trabalhavam por conta própria fecharam o seu negócio. Segundo Amadeo, estes trabalhadores tiveram uma redução de 8% em sua renda.Por Soraya de Alencar e Lu Aiko Otta ATENÇÃO EDITOR: Esta retranca contém informações que já seguiram em CONTAS PÚBLICAS/BOLETIM.

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