Brasília, 2 (AE) - A terça-feira promete muita atividade política em Brasília, com o governo tendo que administrar dois conflitos: um com o governo de Minas Gerais, Itamar Franco, e outro com o PMDB, inconformado com os cortes orçamentários que advirão com a caducidade do imposto sobre combustíveis. Às 10h00 o deputado Pauderney Avelino (PFL-AM) apresenta seu relatório sobre a emenda constitucional que trata da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), devendo rejeitar as 12 emendas apresentadas ao projeto já aprovado no Senado. Ele pretende que o texto seja votado pela comissão na quinta-feira, mas os deputados do PMDB ameaçam não votar a emenda caso o imposto sobre combustíveis não seja aprovado.
O líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), no entanto, afirma que não há como entrar dinheiro do imposto sobre combustíveis neste ano. Ele observa que, mesmo que fosse aprovado o projeto que já está na Câmara, o imposto somente poderia ser cobrado no próximo ano, respeitando-se o princípio da anualidade. Com isto, os projetos do orçamento que têm como receita o imposto , serão automaticamente extintos até o fim de março, conforme prevê a Lei de Diretrizes Orçamentárias. Madeira lembra que quem colocou estas receitas do imposto sobre combustíveis foi o próprio Congresso, e não o Executivo. Ele ontem reuniu-se com o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, para discutir os estudos sobre um novo projeto para a implantação do imposto sobre combustíveis. O presidente do partido, Jáder Barbalho (PA), no entanto, têm insistido que o orçamento não pode ser uma peça de ficção, e continua brigando para que o Ministério dos Transportes, a principal pasta ocupada pela legenda, tenha garantidos os recursos para seus projetos. (José Ramos, segue) Brasília, 02 - Enquanto os líderes do PSDB e do PFL tentam contornar a crise com o PMDB em torno do imposto sobre combustíveis, os ministros da Fazenda, Pedro Malan, da Saúde, José Serra, e da Previdência, Waldeck Ornelas, vão à Câmara hoje estimular os parlamentares a aprovarem rapidamente a emenda constitucional que prorroga a vigência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
Os ministros se revezarão entre as 14h00 e as 17h00 em reuniões separadas com as bancadas do PMDB e do PFL. Outros partidos poderão participar da maratona dos ministros.
O presidente Fernando Henrique também terá encontro com a bancada do PFL, às 11h30, no Palácio da Alvorada. No encontro deverão ser apresentados ao presidente os novos parlamentares que comporão sua base de sustentação. Ao mesmo tempo em que atua como atirador, ao pressionar o governo a aprovar o imposto sobre combustíveis, Barbalho faz também papel de bombeiro, reunindo-se às 11h00 com o governador de Minas, Itamar Franco, e com os outros 26 senadores do partido. No encontro, programado para ocorrer na liderança do PMDB no Senado, os parlamentares tentarão encontrar uma fórmula de encerrar a resistência de Itamar e convencê-lo a encontrar-se com o presidente Fernando Henrique Cardoso.

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