Brasília, 19 (AE) - O porta-voz da Presidência da República, Sergio Amaral, confirmou hoje que haverá um adiamento na privatização das empresas federais geradoras de energia. Amaral adiantou apenas que esse adiamento será "por um curto prazo" e que ainda não há data definida para os leilões que estavam previstos para o segundo semestre deste ano.
O governo terá de fazer as privatizações até o final do ano, como forma de garantir boa parte da arrecadação dos R$ 27,8 bilhões com a venda das empresas e cumprir as metas do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Amaral negou ainda que o atraso nos leilões tenha relação com o blecaute que atingiu oito estados e o Distrito Federal na semana passada.
Por intermédio do porta-voz, o presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu que o adiamento servirá para que os líderes partidários sejam informados e consultados sobre os detalhes das privatizações. Na semana passada, líderes de todos os partidos na Câmara, inclusive os da oposição, pediram ao presidente o adiamento do leilão das empresas geradoras de energia.
Hoje os líderes decidiram pedir a Fernando Henrique 180 dias para esclarecer as dúvidas sobre o processo da privatização
mas Amaral negou hoje que este seja o prazo do adiamento.
Ao admitir que o atraso permitirá o esclarecimento de dúvidas aos parlamentares, o presidente confirma versões que circularam no mercado de que a decisão de adiar as assembléias gerais e extraordinárias de Furnas, Eletronorte e da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) teve também motivação política. A razão oficial do adiamento das assembléia do dia 30 de março foi "motivos técnicos".
Segundo nota distribuída pelo Ministério de Minas e Energia na última quarta-feira, o cancelamento das assembléias do dia 30 de março "deve-se à complexidade dos trabalhos que envolvem um processo dessa magnitude, algumas etapas não foram cumpridas a tempo de serem apreciadas pelos acionistas na data prevista".
As assembléias irão aprovar a cisão das três geradoras de energia e outras nove empresas, de acordo com a modelagem de privatização do setor. A expectativa do governo é conseguir uma receita de US$ 8 bilhões com a venda das geradoras.

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