Governo adia assembléias de Furnas, Eletronorte e Chesf
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terça-feira, 16 de março de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 17 (AE) - O Ministério de Minas e Energia anunciou hoje o adiamento das Assembléias Gerais Extraordinárias (AGEs) de Furnas Centrais Elétricas, da Eletronorte e da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), que estavam marcadas para o dia 30 de março. As assembléias irão aprovar a cisão das três geradoras de energia em outras nove, de acordo com a modelagem de privatização do setor. A decisão deverá atrasar a venda destas empresas federais geradoras de energia, que está prevista para ocorrer no segundo semestre.
A nova data da assembléia será fixada no dia 25 de março
na próxima reunião do Conselho Nacional de Desestatização (CND). Segundo nota distribuída pelo Ministério, o adiamento deve-se à "complexidade dos trabalhos que envolvem um processo dessa magnitude, algumas etapas não foram cumpridas a tempo de serem apreciadas pelos acionistas na data prevista". Segundo o ministro Rodolpho Tourinho, "não houve tempo para concluir a cisão das empresas, pois é um processo muito complexo".
Segundo modelo aprovado pelo CND no final de janeiro, as empresas geradoras de energia serão divididas em unidades de transmissão e de geração. As empresas de geração também serão cindidas para facilitar a venda, atraindo mais investidores. A expectativa do governo é conseguir uma receita de US$ 8 bilhões com a privatização das empresas. Além da cisão das geradoras, ainda está marcada uma AGE da Eletrobrás dia 28 de maio para separação destas empresas da estatal. A Eletrobrás continuará existindo depois da privatização.
Furnas será divida em três novas empresas: duas de geração e uma de transmissão. Uma das geradoras concentrará oito usinas com capacidade de geração de 5.570 megawatts, a outra terá seis usinas capazes de gerar 4.633 MW. A terceira empresa concentrará as linhas de transmissão. Estas serão as maiores empresas a serem privatizadas pelo governo.
A Chesf será dividida em quatro empresas, sendo que três de geração e uma de transmissão. A primeira empresa concentrará seis usinas (capacidade de 4.625 MW), a segunda terá cinco usinas (4.574 MW) e a terceira, menor, terá uma única usina com capacidade d 1,5 mil MW. Já a Eletronorte será mantida como uma empresa, com duas usinas e capacidade de 4.116 MW.
Segundo o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Pio Borges, o governo tem 70% das ações da empresa. A idéia do governo é vender em leilão 40% das ações e os 30% restantes serão ofertados em bolsa, de forma pulverizada. A privatização é considerada a única alternativa de neutralizar os problemas no abastecimento de energia no País. O ministro Rodolpho Tourinho afirmou que nos próximos quatro anos serão necessários investimentos de R$ 30 bilhões em tansmissão, geração e distribuição, dinheiro que o governo não dispõe.


