São Paulo, 20 (AE) - A proposta de uma nova comissão parlamentar de inquérito (CPI) pode estar sendo usada pelos vereadores governistas de São Paulo como nova moeda de negociação política com o Executivo. Aproveitando um momento de fragilidade do governo municipal provocado pelas crises financeira e política, os parlamentares que integram o bloco de apoio ao governo poderão usar a nova proposta de CPI para retomar ou ampliar espaços na administração municipal.
Um vereador do PPB, que só concordou em falar sob a condição de o nome não ser revelado, disse que vários parlamentares estão usando o risco da CPI como uma forma de cobrar promessas não-cumpridas ou conquistar um mínimo espaço na administração. Ontem (19), um vereador petebista disse não saber qual a vantagem política de defender o governo na Câmara Municipal.
Esse integrante da bancada do PTB, que controlou uma administração regional (AR) e também pediu para não ser identificado, afirmou que a maioria dos pedidos de eleitores encaminhados por ele às ARs não foi atendida. De acordo com o petebista, conquistar o poder administrativo é o objetivo básico da política e, se esse poder não pode ser exercido pelo parlamentar que apóia o governo, então, não tem sentido nenhum fazer parte do grupo governista.
No PFL, a situação não é diferente. Um antigo vereador desse partido reclama da inexistência de um projeto político do governo e da falta de espaço na administração municipal.
Outro exemplo dessa insatisfação é o vereador suplente Osvaldo Sanches (PPB), que assumiu temporariamente a vaga em substituição a Domingos Dissei (PPB) - atual secretário municipal das ARs. Os companheiros de partido de Sanches dizem que ele não votou contra a CPI da oposição para se vingar do prefeito Celso Pitta (sem partido) porque ainda não dispõe de nenhum espaço político no governo.
O motivo seria a falta de atenção e a forma como teria sido tratado pelo Executivo desde o início da atual gestão. Em conversas reservadas, os governistas comentavam ontem (19) na Câmara que poderiam pedir para Dissei reassumir a vaga, afastar Sanches e conseguir um voto a mais contra a CPI da oposição.
Como aparentemente os governistas não ouviram a resposta esperada do Executivo, nos últimos dias, aumentou a insatisfação
e a discussão da CPI na Câmara transformou-se num impasse político. Como o governo sabe que os próprios vereadores temem uma nova CPI, não tem demonstrado pressa alguma em se reunir com os parlamentares.
Apesar de alegarem ordem direta do governo para derrubar os dois pedidos de CPIs existentes - um dos partidos de oposição e outro apresentado pela ex-pepebista Myryam Athie - , o número de vereadores insatisfeitos aumentou um dia depois de o bloco governista ser derrotado por causa da mudança de posição de Sanches e Mílton Leite (PMDB). Na quarta-feira (18), faltou apenas um voto para os governistas sepultarem a CPI da oposição.
O número necessário para aprovar ou rejeitar a comissão é de 28 votos, mas conseguiram 27. A CPI da oposição foi apresentada para apurar denúncias de irregularidades envolvendo vereadores e órgãos municipais.
Em resposta, os governistas apresentaram outro pedido de CPI. Assinado por Myryam, o requerimento é acusado pela oposição de excluir o Plano de Atendimento à Saúde (PAS) e Pitta.
O secretário do Governo, Carlos Augusto Meinberg, apesar de acompanhar diretamente pelo telefone as últimas sessões da Câmara, continua afirmando que não tem conversado com os vereadores sobre a questão das CPIs. "Esse é um assunto da Câmara e não vamos nos intrometer", repetiu Meinberg.

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