Brasília, 09 (AE) - Os parlamentares aliados ao governo travarão, a partir de amanhã (10), uma nova batalha com o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), em torno do salário mínimo. O objetivo será convencer o presidente a aceitar que a votação da medida provisória que fixou o mínimo em R$ 151,00 fique para depois do feriado da Semana Santa. Magalhães tem declarado que incluirá a matéria na pauta de terça-feira do Congresso, dando ao mínimo prioridade em relação à votação do Orçamento Geral da União (OGU).
O líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE), é cauteloso em sua avaliação do momento político e procura transmitir a idéia de que o senador Antônio Carlos Magalhães atenderá ao apelo da comissão mista que estuda a matéria e aguardar que sejam concluídos os debates sobre o mínimo. "A Comissão tem um calendário e precisamos esgotar a discussão antes de votarmos", disse hoje o senador. Terça-feira de manhã os parlamentares ouvirão o ministro do Planejamento Orçamento e Gestão, Martus Tavares, e à tarde discutirão o parecer do relator da matéria, deputado Armando Monteiro (PMDB-PE).
O líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (AM), garante que a prioridade será a votação do orçamento. "É fundamental aprovarmos o orçamento, e esta matéria é tão importante que no dia de sua votação não pode haver mais nada na pauta do Congresso", afirmou. Em virtude desta prioridade, que em sua opinião moiblizará toda a bancada governista na quarta-feira, a votação do salário mínimo ficaria para outra semana.
A oposição, no entanto, tem encarado este movimento como uma manobra para protelar a votação do mínimo, de modo a permitir sua reedição contínua, a exemplo do que ocorreu nos últimos três anos. Nenhuma das medidas provisórias que fixou salário mínimo neste período foi votada pelo Congresso. O deputado Paulo Paim (PT-RS) criticou duramente o presidente da comissão, senador Íris Rezende (PMDB-GO) por manter as audiências, já que o prazo para que a comissão votasse o parecer se esgotou na última sexta-feira. "Esses depoimentos não vão acrescentar nada", criticou o deputado, acusando Rezende de estar "rasgando o regimento" ao protelar a votação.
É contra esta manobra dos outros governistas que o senador Antônio Carlos ameaça reagir, colocando a proposta em votação. O líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) também tem declarado que não acredita que a medida seja votada nesta semana, mas revelou um temor por trás desse desejo. "Não estamos mobilizados para esta votação", comentou. O líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA) disse também que não há nenhuma negociação com o senador para evitar a inclusão da matéria na pauta. Se a proposta for incluída, ele disse que os deputados peemedebistas comparecerão e votarão a favor da medida provisória. Magalhães tem declarado possuir apoio para mudar a medida provisória, não só da oposição, mas também na base aliada.
Esta avaliação é questionada, reservadamente, por alguns parlamentares próximos ao governo. Eles imaginam que Magalhães buscará uma composição com os demais partidos da base, evitando um confronto que poderia levá-lo a uma derrota, arrastando junto de si o seu partido, o PFL. O trunfo que Magalhães teria para forçar a votação seria incluir o mínimo antes do orçamento. Mas se o orçamento não for aprovado rapidamente em consequência de um confronto em torno do mínimo, os governistas acreditam que o desgaste de Magalhães aumentaria , e seu isolamento se tornaria ainda maior.

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