São Paulo, 20 (AE) - Diante do fracasso da estratégia montada para rejeitar as comissões parlamentares de inquérito (CPIs) governista e da oposição e da divisão existente no bloco da situação na Câmara Municipal de São Paulo, os vereadores que apoiam ao prefeito Celso Pitta (sem partido) poderão usar as comissões processantes (CPs) que julgam a procedência ou não das acusações de irregularidades apresentadas pela CPI dos Fiscais contra os vereadores José Izar (PFL) e Maeli Vergniano (sem partido) como uma estratégia para reduzir a pressão para aprovação de uma nova comissão.
As CPs criadas para julgar Izar e Maeli, respectivamente
acusados de usar em benefício próprio as Administrações Regionais (ARs) da Lapa e de Pirituba, na zona oeste, devem apresentar os relatórios finais até o fim da próxima semana. Se os dois vereadores perderem os mandatos em plenário, os governistas acreditam que o tema CPI poderá perder força.
O risco, entendem os próprios governistas, é se apenas um for considerado culpado das acusações pelos demais parlamentares. Eles avaliam que um resultado nesse sentido poderia aumentar o "combustível" para uma nova comissão na Câmara.
Um dos vereadores que apostam num eventual efeito positivo das prováveis cassações é o ex-vice-líder do governo na Câmara José Viviani Ferraz (PL). Ele acredita que a bancada governista deveria aguardar o resultado do julgamento de Izar e Maeli para depois levar adiante a estratégia de sepultar as CPIs.
O vereador Miguel Colasuonno (PPB), que preside a CP encarrega de analisar as denúncias formalizadas contra Maeli, disse que permitirá o uso político das comissões. Colasuonno, que tem defendido uma terceira via para o impasse das CPIs, mas votou contra o requerimento das oposições, acredita que tentar usar politicamente as CPs seria um "erro fatal".
Os vereadores da oposição sabem que a intenção dos governistas, ao tentar antecipar os resultados das CPs, pode ser reduzir a atenção sobre a discussão de uma nova CPI. No entanto
preferiram não alimentar uma nova polêmica. "Se as Comissões Processantes recomendarem as cassações e o plenário conseguir ratificar essa decisão, a Câmara estará demonstrando para a opinião pública que tem maturidade para punir vereadores culpados e reforçando o trabalho das comissões parlamentares, que recolheram as provas e apresentaram as denúncias para esse trabalho", avaliou o vereador José Eduardo Martins Carodozo (PT), ex-presidente da CPI dos Fiscais.
Uma ala do bloco governista ainda insiste em aprovar rapidamente o Código de Ética e a Corregedoria da Câmara Municipal como uma forma de demonstrar para a sociedade que estão dispostos a adotar mecanismos para apurar com mais agilidade denúncias de irregularidades.
Outros integrantes desse bloco entendem que qualquer medida que não seja a CPI será interpretada como mais uma manobra política para evitar que as denúncias sejam investigadas. "Reconheço que a Câmara ficou encalacrada", resumiu Colasuonno.
A solução, na opinião de Colasuonno, seria propor um terceiro pedido de CPI negociado com todas as bancadas. A intenção é delimitar os objetos da investigação, proposta que dificilmente será aceita pelos partidos de oposição.

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