São Paulo, 29 (AE) - Vereadores que integram o bloco governista na Câmara Municipal de São Paulo afirmaram hoje que a tendência é cassar os vereadores Maeli Vergniano (sem partido) e José Izar (PFL). Eles também querem levar pelo menos um parlamentar do PT ao banco dos réus. Os governistas consultados entendem que a cassação de Vicente Viscome, aprovada ontem (28), foi o início de um processo que precisa ser concluído.
Um vereador do PFL entende que se Maeli e Izar não forem cassados ficará claro para a opinião pública que Viscome "foi apenas um bode expiatório para recuperar a imagem da Câmara". Uma ala dos vereadores da situação pode entender já ter sido dada a resposta esperada pela sociedade, admitiu um vereador do PPB . Ele acredita que as reações da opinião pública serão suficientes para mudar eventuais opiniões a favor de uma absolvição.
Viscome foi considerado culpado pelas cinco acusações pelas quais foi processado na Câmara. Integrantes do "bloco" governista tentaram demonstrar ontem que a cassação de Viscome foi um processo natural, configurado a partir das provas obtidas pelas investigações feitas pela Polícia Civil, pelo Ministério Público Estadual (MPE) e pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais. A decisão foi tomada nos últimos dias.
Um grupo de situacionistas argumentou que não havia como dar uma resposta à sociedade e tentar recuperar a imagem da Câmara sem punir os parlamentares considerados culpados pela CPI dos Fiscais e pela Comissão Processante. Viscome teve a cassação recomendada pela Comissão Processante por unanimidade. O argumento apresentado não foi suficiente para convencer alguns governistas, que resistiam à idéia de cassar o mandato de um colega. A decisão da Comissão de Ética da Assembléia Legislativa , que recomendou a cassação do mandato do ex-vereador e deputado Hanna Garib, foi fundamental para mudar a opinião. Diante do risco de os deputados estaduais assumirem a bandeira da moralização sozinhos, a maioria do "bloco" governista cedeu.
A estratégia da situação, agora, é incluir pelo menos um parlamentar da oposição no banco dos réus. Eles promete cassar o presidente do Diretório Municipal do PT, o vereador Vicente Cândido. A Comissão Processante deveria ser aprovada na semana passada, mas a votação foi deixada para agosto.A estratégia governista é divulgar várias denúncias contra Cândido, que foi administrador regional de Campo Limpo na gestão Luiza Erundiana. Caso a teoria governista dê certo e a culpa ficar pelo menos indicada, o PT não teria outra saída senão aprovar a cassação.
"Podem investigar o que quiserem, porque não há irregularidade alguma", afirmou Cândido. "A gestão Paulo Maluf já investigou e deu-me um relatório elogioso, atestando a lisura da administração."

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