Governistas na Câmara pretendem barrar criação de CPI14/Mar, 19:59 Por Flávio Mello São Paulo, 14 (AE) - Preocupados com o efeito eleitoral que uma nova investigação na Câmara pode provocar, os vereadores que integram a bancada governista uniram-se temporariamente contra a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) proposta pelos partidos de oposição para apurar as denúncias de corrupção feitas pela primeira-dama Nicéa Pitta. Os parlamentares justificaram a posição contrária à nova CPI dizendo que Nicéa ainda não apresentou nenhuma prova material. Em conversas reservadas, no entanto, admitem que se surgir um fato novo nos próximos dias a estratégia adotada até agora terá de ser revista. Desde sexta-feira (10), quando Nicéa acusou seu ex-marido de comprar votos de vereadores governistas para aprovar projetos e evitar o processo de impeachment, os parlamentares que ainda apóiam o Executivo entraram em crise. Como não surgiu nenhuma prova concreta, ficaram mais tranquilos e decidiram aguardar o julgamento final das propagandas feitas por Pitta durante a CPI dos Precatórios, no Tribunal de Justiça (TJ) do Estado. Os parlamentares entendem que conseguirão impedir uma nova investigação mesmo que o prefeito seja condenado por unanimidade no TJ, desde que possa recorrer da decisão em instância superior e permanecer no cargo. Do contrário, dificilmente terão condições de impedir a pressão da opinião pública e da oposição. Em conversas reservadas, os vereadores disseram não estar preocupados com o futuro político de Celso Pitta. A grande dor de cabeça, neste momento, é impedir que os partidos oposicionistas consigam aprovar novamente uma Comissão Parlamentar de Inquérito. "Sou a favor de qualquer investigação administrativa, mas não permitirei uma investigação de cunho político", afirmou hoje a vereadora Myryam Athie (PMDB). Em seu discurso, ela disse que nenhum dos 55 parlamentares é "bobo". "O que teve menor número de votos aqui foi eleito por seis mil pessoas", completou Myryam. "Não vou me afastar da Câmara Municipal por causa de denúncias irresponsáveis, que não têm prova alguma, e estou aberta a qualquer investigação." Desde domingo, o secretário do Governo Municipal, Carlos Augusto Meinberg, tenta evitar uma crise na Câmara. De acordo com vereadores governistas, Meinberg pediu uma "trégua" para que, juntos, eles conseguissem resistir à pressão da oposição. Uma reclamação geral na Casa, entretanto, é o fato de o Palácio das Indústrias não ter definido nenhuma linha de ação até o momento. "Estamos agindo por instinto de sobrevivência e por inércia, porque não há uma estratégia definida pelo governo municipal", afirmou um parlamentar do PMDB, que pediu para não ter seu nome revelado.

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