São Paulo, 08 (AE) - O requerimento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) proposta pela oposição para apurar denúncias de irregularidades envolvendo órgãos municipais e vereadores ficou pendente de votação pela sexta vez consecutiva, porque os governistas não conseguem articular-se para conseguir os votos para arquivar o pedido de investigação e a oposição não consegue novas adesões para aprová-lo.
Na sessão de hoje, os partidos de oposição - PT, PSDB, PC do B e PSB - conseguiram 24 votos a favor, os governistas 8 contrários e cinco abstenções. Haviam mais vereadores situacionistas na Câmara, mas deixaram o plenário para não ter de votar.
Na prática, nenhuma articulação tem ocorrido para derrubar ou aprovar a CPI. As bancadas de oposição continuam usando a estratégia de expor à opinião pública os parlamentares contrários à continuidade das investigações, porque não conseguiram nenhuma adesão nova.
"Queríamos derrubar a CPI, mas um vereador está licenciado e dois viajando", justificou o vereador José Viviani Ferraz (PL). Ele referiu-se, respectivamente, aos vereadores Edivaldo Estima (PPB), Myryam Athie (PMDB) e Miguel Colasuonno (PPB).
Nas últimas sessões, Myryam votou a favor da CPI da oposição. Ela é a autora do requerimento de investigação defendido por uma ala da bancada governista, mas mudou de posição porque os situacionistas prometeram aprovar o pedido que apresentou e depois decidiram derrubar os dois.
Os partidos de oposição acusam Myryam de propor uma CPI que excluiria de eventuais investigações o Plano de Atendimento à Saúde (PAS) e o prefeito Celso Pitta (sem partido). O vereador Osvaldo Sanches (PPB), que já havia votado a favor da CPI das oposições, disse hoje que não mudará mais a sua posição.
"Quero ficar bem com Deus e a sociedade, portanto votarei a favor da CPI das oposições", disse Sanches. "O motivo é esse, embora meus companheiros de partidos achem que estou interessado em assumir definitivamente a vaga, com o eventual afastamento de alguns colegas que poderiam ser atingidos pela CPI", completou.
De acordo com o Regimento Interno da Câmara, são necessários 28 votos para derrubar ou aprovar um pedido de CPI em plenário. Nem a oposição e nem a situação dispõe desse quórum no momento.
A bancada do PTB absteve-se da votação de hoje, posição interpretada pelos próprios governistas como um recado direto ao Executivo. Na prática, os vereadores poderiam estar indicando que aguardam o resultado de futuras negociações políticas com o governo para tomar uma posição definitiva em relação ao pedido de investigação.
Na Câmara, comenta-se que a bancada do PTB estaria interessada na Secretaria Municipal de Habitação e Desenvolvimento Urbano. Os petebistas negam qualquer articulação nesse sentido.
O vereador José Viviani Ferraz admitiu que há parlamentares interessados em ampliar ou reconquistas espaços pedidos no governo, mas disse que não há disposição alguma do governo de atender eventuais pedidos.
"Que tem, tem, só que.....", respondeu Ferraz, ao ser perguntado pela reportagem da Agência Estado se havia vereadores usando a CPI da oposição para negociar eventuais vantagens com o governo municipal.

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