São Paulo, 30 (AE) - A bancada de apoio ao prefeito Celso Pitta (sem partido) na Câmara de Vereadores de São Paulo deve cassar amanhã (31) o mandato da vereadora Maeli Vergniano (sem partido) e na quarta-feira o do vereador José Izar (PFL). A decisão faz parte da estratégia para recuperar a imagem do Legislativo e dar uma resposta à sociedade.
Depois, o "bloco" governista quer tentar rejeitar os dois pedidos de instauração de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para apurar irregularidades envolvendo parlamentares e órgãos municipais, aprovar o Código de Ética dos servidores e a criação da Corregedoria Municipal.
Uma ala dos governistas acredita que, depois das cassações e da aprovação do código e da corregedoria, a Câmara terá provado à população sua disposição de investigar e punir vereadores acusados de corrupção. Eles contam com isso para afastar a pressão pró-CPI.
O primeiro pedido de CPI foi apresentado pela oposição depois do surgimento de denúncias contra os vereadores Faria Lima (PMDB) e Maria Helena (PL). Divididos, os governistas propuseram outra CPI - que, segundo oposicionistas, exclui o Plano de Atendimento à Saúde (PAS) e Pitta das apurações. Os dois pedidos estão na pauta da Câmara há três semanas. "Acredito que, após analisar processos de cassação, a tendência seja rejeitar as CPIs e aprovar o código e a Corregedoria", admitiu o líder do PPB, Paulo Frange. Para ele, todas as denúncias e inquéritos instaurados pelo Ministério Público e pela polícia poderão ser enviados à Corregedoria e punidos por meio de uma Comissão Processante.
Afastamento - Para Frange, criar uma CPI agora provocaria um "afastamento compulsório" dos eventuais acusados
pela proximidade com as eleições. "Eventuais inimizades vão prevalecer e isso é péssimo para a Câmara."O temor de Frange é confirmado pela posição de um experiente pepebista, que mandou um recado direto aos companheiros de bancada: "Se houver CPI, fatalmente farei parte e quem for acusado com provas testemunhais ou materiais terá a cassação recomendada."
A oposição continua contando com o voto do vereador Osvaldo Sanches e com a adesão de Celso Cardoso e José Olímpio, todos dos PPB, ao seu pedido de CPI. Desde a semana passada, comenta-se na Câmara que o secretário das Administrações Regionais, vereador Domingos Dissei (PPB), pode reassumir a vaga para neutralizar a dissidência de Sanches. A informação foi negada pelo Executivo e por assessores de Dissei.
A maioria dos governistas dedicou-se a "compromissos externos" hoje. Com isso, evitaram entrevistas e pressões de Maeli e Izar. A tendência é pró-cassação, mas até a oposição tem dúvidas sobre o resultado da votação.
Reunião - Vereadores comentaram hoje a possibilidade de Maeli estar articulando um esvaziamento do plenário, para a sessão ser suspensa. Também se falou de uma reunião, na casa do pepebista Edivaldo Estima, na qual os governistas definiriam de que forma votarão amanhã. "Se há ou houve tal reunião, ninguém me convidou", garantiu o líder do Executivo, Brasil Vita (PPB).

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