São Paulo, 01 (AE) - Depois da absolvição em plenário do vereador José Izar (PFL), os veredores do "bloco" governistas poderão acelerar a derrubada dos dois requerimentos de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) pendentes de votação e o início do prometido contra-ataque ao PT. Vereadores da oposição acreditam que tudo é possível e os governistas ameçam com a volta do antigo "rolo compressor", o que significa que todas metas da situação podem ser aprovadas na sessão de amanhã (02).
"Se absolveram um vereador acusado com base em provas concretas e contrariamente à esperança de punição contra imoralidades, podemos esperar qualquer coisa, inclusive impedir que novas denúncias sejam apuradas", afirmou o vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT), que presidiu a CPI dos Fiscais.
Encerrada a fase dos sacrifícios considerados inevitáveis pelos governistas para recuperar a imagem da Câmara Municipal e dar uma resposta mínima à opinião pública - que resultaram na cassação do mandato dos ex-vereadores Vicente Viscome e Maeli Vergniano - a bancada de apoio ao prefeito Celso Pitta (sem partido) pretende colocar a segunda fase da estratégia para barrar novas investigações.
A tática é sepultar os dois requerimentos de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), aprovar o Código de Ética e a Corredoria da Câmara e a Comissão Processante (CP) contra o presidente do Diretório Municipal do PT, vereador Vicente Cândido. Esta última poderá ser acelerada por causa da decisão de Cândido de distribuir jum boletim com críticas diretas aos situacionistas, considerado um erro estratégico por integrantes do próprio PT.
A princípio, não parecem temer a reação da opinião pública. Um dos argumentos que poderão ser utilizados pelos governistas é que cassaram os parlamentares contra os quais haviam provas testemunhais e materiais suficientes. E contra Izar essas provas eram fracas, apesar de aprovadas por unanimidade na CPI dos Fiscais e na Comissão Processante.
Depois de executar os "sacrifícios", a bancada governista pretende barrar novas investigações na Câmara para evitar mais dividendos políticos para a oposição e tentar preservar da ruína mais vereadores da situação. Uma ala da bancada governista pretende rejeitar os dois pedidos de CPI existentes na Câmara hoje, mas um outro grupo prefere deixar a discussão para depois do feriado de 7 de setembro por não ter certeza se há número suficiente.
"Não sei não, cada dia os integrantes da nossa bancada agem de uma forma diferente", avaliou ontem o vereador Wadih Mutran (PPB). Na tarde de hoje, Mutran disse que a Comissão Processante contra Cândido poderá ser aprovada amanhã. "Basta pedir preferência e inverter a pauta, aprovamos a Processante e, depois, talvez derrubemos a CPI", comentou.
A avaliação dos governistas é que o novo ataque feito pelo vereador e presidente do Diretório Municipal do PT possa contribuir para reunificar a base do governo. "Vamos ligar o rolo compressor", prometeu hoje o vereador Toninho Paiva (PFL). O vereador Mílton Leite (PMDB) também prometeu aprovar a Comissão Processante, trabalhar e votar pela cassação.
Os governistas alegam que Cândido cometeu falta de decoro parlamentar ao criticar todos os vereadores da base de apoio ao Executivo. O argumento para derrubar os dois pedidos de CPI existentes, um apresentado pela oposição e outro pela base governista para investigar denúncias de irregularidades envolvendo órgãos municipais e vereadores, é que essas investigações são políticas.
A oposição alega que o requerimento da situação é incompleto. Eles entendem que o pedido exclui de uma eventual investigação o Plano de Atendimento à Saúde (PAS) e o prefeito Celso Pitta (sem partido), versão negada pelos governistas. Os parlamentares governistas sustentam também que a proximidade com as eleições provocaria não um eventual julgamento de vereadores acusados, mas uma "expulsão compulsória". "Entre CPI e Comissão Processante estaremos em julho de 2000 e todos os vereadores já serão adversários eleitorais", argumentou o líder da bancada do PPB, Paulo Frange. "Se isso ocorrer, então qualquer vereador acusado terá de renunciar antes de iniciada a Comissão Processante, porque estará sem mandato mesmo antes de concluído o julgamento prévio", completou.
Para não serem acusados de impedir eventuais investigações, os governistas prometem encaminhar novas denúncias para a Corregedoria da Câmara. A intenção é usar esse instrumento para mostrar à opinião pública que estão dispostos a continuar punindo eventuais culpados. "Queremos apenas evitar uma guerra político-partidária, tanto que defendo a negociação de uma proposta alternativa, da Câmara", afirmou o vereador Miguel Colasuonno (PPB).
Colasuonno acredita que a solução para o impasse das CPIs é aprovar um terceiro requerimento, que nasceria de um consenso entre a oposição e a situação. Essa tese, que não prosperou, tornou-se ainda mais difícil depois do boletim contra os governistas distribuido hoje pelo PT. O Executivo não admite, mas não é favorável a uma nova CPI.
O secretário de Governo, Carlos Augusto Meinberg, já afirmou que a Câmara produz mais sem CPI. "Não estamos interferindo nesse processo", defende-se. Os governistas, de vários partidos, garantem que o principal articulador político de Pitta acompanha as sessões e participa de reuniões via telefone.

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