Governistas discutem com secretário estratégia contra CPI proposta pela oposição
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sexta-feira, 20 de agosto de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 21 (AE) - Vereadores da bancada governista reúnem-se segunda-feira às 11 horas com o secretário do Governo Municipal, Carlos Augusto Meinberg, para definir a estratégia a ser adotada em relação à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) proposta pela oposição para investigar denúncias de irregularidades em órgãos municipais com a suposta participação de vereadores. No encontro, os parlamentares devem explicar também as causas da "insatisfação" que provocou a divisão e o recuo aparente de alguns vereadores na sessão realizada quinta-feira na Câmara Municipal.
A CPI começou a ser discutida no fim da primeira semana deste mês, após o vereador Paulo Roberto Faria Lima (PMDB) ter sido acusado de chefiar o esquema de cobrança de propina na Administração Regional de Pinheiros e a vereadora Maria Helena (PL), de ficar com parte do salário de uma ex-funcionária. A situação reagiu e a vereadora Myryam Athie (sem partido) apresentou outro pedido de investigação, que se tornou conhecido como CPI Governista. A oposição alegou que a proposta excluía o Plano de Atendimento à Saúde (PAS) e o prefeito Celso Pitta (sem partido).
Os vereadores que apóiam Pitta, alegando orientação direta do Executivo, tentaram derrubar a CPI da oposição na quarta-feira. Fracassaram, porque faltou 1 voto - são necessários 28 para aprovar ou rejeitar o pedido de CPI. A primeira derrota na guerra das CPIs desencadeou uma crise política na Câmara. Cabisbaixos, os líderes do governo no Legislativo, Brasil Vita (PPB) e Wadih Mutran (PPB), deixaram o plenário sem dar entrevistas.
O plano fracassou porque os vereadores Osvaldo Sanches (PPB) e Mílton Leite (PMDB), que constavam da lista de aliados do governo, não votaram. Na quinta-feira, o descontentamento de alguns governistas aumentou. O vereador Celso Cardoso (PPB), que nunca foi dado a discursos ou reclamações, ocupou a tribuna do plenário para criticar colegas aliados e deu indícios de que poderia abandonar a base governista. De acordo vereadores da situação, Sanches aproveitou o risco da CPI para vingar-se do Executivo. Seus companheiros de partido comentam, reservadamente
que Sanches está descontente com o tratamento que o governo lhe dispensa desde o início da gestão. Ordem direta - A história recente da Câmara mostra que rompantes desse tipo não duram mais do que alguns dias, como ocorreu com o bloco dos rebeldes. Liderado por Faria Lima, o grupo de 11 vereadores chegou a exigir a renúncia de Pitta e ajudou a oposição a conquistar vitórias no Legislativo. A "rebelião" acabou em reunião do grupo no apartamento do prefeito, durante a qual acertaram a retomada e a conquista de novos espaços políticos no governo.
O secretário Meinberg negou várias vezes, na semana passada, qualquer interferência em relação à CPI. Os governistas
entretanto, afirmaram que a estratégia foi traçada por ordem direta do Executivo. "É muito fácil pôr a responsabilidade em nós", retrucou Meinberg. Na sexta-feira, ele confirmou a reunião de segunda com os vereadores governistas. Disse, entretanto, tratar-se de uma conversa de rotina.
Segundo o secretário, o encontro foi marcado por Brasil Vita. O vereador Miguel Colasuonno (PPB) não deve participar da reunião, mas esteve no Palácio das Indústrias sexta-feira em busca de orientação. Deixou o governo sem tocar no assunto CPI, porque o tema do dia foi a renegociação da dívida mobiliária do Município - contraída com a emissão de títulos públicos no mercado financeiro. A notícia animou Colasuonno. Esperança - O pepebista disse que, pela expressão de felicidade, acreditava que a Prefeitura entraria numa nova fase. "Uma notícia dessas, no mínimo, renova as esperanças e certamente trará nova disposição ao governo", avaliou Colasuonno.


