Governistas dificultam convocação de Maluf
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domingo, 23 de maio de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 24 (AE) - Os vereadores governistas que integram a CPI dos Fiscais impediram hoje a definição da data para o presidente nacional do PPB e ex-prefeito, Paulo Maluf, e o prefeito Celso Pitta (sem partido) deponham na comissão. A proposta foi apresentada pelo presidente da CPI, José Eduardo Martins Cardozo (PT), mas, diante da posição contrária de Brasil Vita (PPB), Wadih Mutran (PPB) e Mílton Leite (PMDB), a votação foi adiada para quinta-feira.
Vita e Mutran já haviam votado contra o convite de Maluf e Pitta na semana passada, mas Leite garantiu a vitória da oposição. Depois de uma decisão tomada pelos Diretórios Municipal e Estadual do PMDB, Leite disse que proporia a convocação de Maluf e Pitta.
Segundo o peemedebista, o motivo principal eram as denúncias sobre o custo elevado na canalização e pavimentação da Avenida água Espraiada, no Brooklin, zona sul. Um dia depois, Leite acabou apresentando requerimento aditivo ao existente na CPI pedindo o convite e não a covocação.
Na prática, ninguém é obrigado a aceitar um convite - a convocação é obrigatória. Além disso, Leite fixou prazo de 15 dias para receber documentos da Prefeitura referente às obras. Ele alegou que teria de analisá-los para formular as perguntas ao ex-prefeito. O prazo foi interpretada na Câmara como uma manobra política para livrar Maluf do depoimento, pois os trabalhos da comissão terminariam, a princípio, no dia 12.
O tempo disponível ficou ainda menor, pois numa análise mais detalhada os vereadores concluíram que a CPI dos Fiscais termina no dia 9. O Regimento Interno estabelece prazo de 90 dias, não de três meses. "A presidência desta comissão nem sequer ainda enviou o requerimento solicitando os documentos à Prefeitura, portanto não posso concordar em definir a data", justificou Leite.
Cardozo explicou que o requerimento foi assinado e expedido hoje, conforme o procedimento regimental da comissão. "Como filiado ao PPB, não tenho tenho interesse nenhum em ouvir o doutor Paulo Maluf", disse Wadih Mutran. "O depoimento do prefeito e do ex-prefeito nada acrescentará aos trabalhos desta comissão", defendeu-se Vita.
Convocação - O vereador Dalton Silvano (PSDB) apresentou requerimento para transformar o convite em convocação. A intenção dele é conseguir uma garantia de que Maluf e Pitta prestarão depoimento na CPI dos Fiscais, porque restam poucos dias de trabalho.
"Se a Prefeitura não enviar os documentos até quinta-feira, serei favorável à convocação", disse Leite. Além da investigação sobre a Avenida água Espraiada, Cardozo e Silvano querem ouvir o prefeito e Maluf sobre as supostas irregularidades na contratação de funcionários da Anhembi Turismo e Eventos da Cidade de São Paulo, Companhia de Processamento de Dados do Município (Prodam) e no Instituto de Previdência do Município (Imprem). Essas empresas, controladas pela Prefeitura, e o Iprem estão sendo investigados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público Estadual.
Apesar de os vereadores que apóiam o prefeito terem negado a prorrogação da CPI por mais 90 dias, Cardozo deve apresentar novo requerimento ainda esta semana. O PT, com apoio de sindicados e entidades civis, pretende fazer uma manifestação pela prorrogação da comissão na quinta-feira.
De acordo com assessores políticos do PT, um comercial deve começar a ser transmitido pelas emissoras de TV para estimular a população a participar do movimento.
Graxa - Depois de fazer perguntas ao ex-assessor técnico de planejamento da Secretaria Municipal da Educação e ex-funcionário da vereadora Maeli Verganiano (sem partido), Ermínio de Oliveira, o vereador Brasil Vita (PPB) aproveitou para engraxar os sapatos na entrada do Salão Prestes Maia, onde funciona a CPI dos Fiscais.
Vita negou que tenha ido engraxar os sapatos por estar desinteressado em relação aos trabalhos da comissão. "Eu poderia ter ido no andar inferior, mas pedi que o rapaz viesse aqui justamente para poder continuar acompanhando os trabalhos."


