Governistas derrubam CPI por 28 a 24 votos
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terça-feira, 28 de setembro de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 29 (AE) - Os vereadores que apóiam o prefeito Celso Pitta (PTN) na Câmara Municipal rejeitaram hoje - por 28 votos contra, 24 a favor e uma abstenção - o pedido de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das oposições, impedindo a continuidade das investigações de denúncias de irregularidades envolvendo órgãos municipais e parlamentes governistas. O consenso para sepultar o novo pedido de CPI, que foi apresentado no início de agosto, ocorreu depois que o Executivo cedeu às pressões dos vereadores para afastar secretários municipais e iniciou negociações políticas com as bancadas municipais.
Na prática, os parlamentares usaram a ameça de uma nova investigação parlamentar como moeda de negociação com o governo municipal. Há oito dias, o vereador Toninho Paiva (PFL) resumiu o motivo do impasse na Câmara. "Quando nos aproximamos de uma eleição, é importantíssimo os vereadores de sustenção do governo terem o seu espaço político como instrumento para atender a população e é isso que está causando uma série de problemas para não encerrar a CPI", admitiu Paiva. "Acredito que, com o bom senso e a sensibilidade do prefeito, amanhã ou depois estaremos encerrando o capítulo CPI", completou. Cargos - Pressionado pela Câmara e por integrantes da própria administração, Pitta exonerou José Antônio de Freitas (Finanças) e Domingos Dissei (Administrações Regionais). As mudanças foram realizadas para instituir uma política econômica mais flexível e retomar o diálogo com os vereadores, que criticavam Dissei por alijá-los do processo político. Com a saída de Freitas, várias obras foram retomadas. Pitta admitiu que essas obras favoreceriam os vereadores, porque muitas estão localizadas nas regiões em que têm um bom percentual de votos.
Além disso, o Executivo ofereceu a Secretaria Municipal de Habitação e Desenvolvimento Urbano à bancada do PTB, mas os vereadors dizem ter declinado do convite. O PMDB ainda negocia a indicação da Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação. "Houve um pacote, abençoado com a troca de cargos no Executivo", disparou hoje o vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT). Na Câmara, vereadores governistas comentam que vão indicar cargos na Prefeitura. Em público, negam e o secretário do Governo Municipal, Carlos Augusto Meinberg, disse que negocia politicamente com os partidos.
"Desafio o senhor José Eduardo Martins Cardozo a dar os nomes e os cargos", reagiu Wadih Mutran (PPB). "Não nego o que disse, mas negociamos espaços e atendimento, por meio de obras, para a comunidade", recuou Paiva. Os vereadores temiam novas investigações e os efeitos eleitorais negativos que teriam de enfrentar durante a campanha de 2000. O Executivo não admite, mas também considerava inoportuna a aprovação de uma nova CPI um ano antes das eleições municipais.


