Governistas deixam plenário para evitar CPI
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quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 19 (AE) - Um dia depois de tentar derrubar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) proposta pela oposição, aumentou o racha no bloco governista na Câmara Municipal. Os vereadores que apóiam o prefeito Celso Pitta (sem partido) fugiram do plenário para evitar o risco de a CPI da oposição ser aprovada. A nova investigação parlamentar foi proposta pelo PT, PSDB, PC do B e PSB depois que o vereador Paulo Roberto Faria Lima (PMDB) foi acusado de chefiar esquema de cobrança de propina na Administração Regional de Pinheiros e a vereadora Maria Helena (PL), de ficar com parte do salário da sua ex-funcionária Alessandra Cruz Garcia.
Em resposta, os governistas apresentaram outro pedido de CPI. Assinado pela veradora Myryam Athie (ex-PPB, sem partido), o requerimento é acusado de excluir de uma eventual investigação o Plano de Atendimento à Saúde (PAS) e Pitta. Ontem, alegando orientação direta do Executivo, depois de quase três horas de reunião, os vereadores governistas entraram em plenário determinados a derrubar os dois pedidos de CPI. O bloco situacionista - que já havia boicotado o requerimento apresentado por Myryam, fracassou por 1 voto - precisava de 28 para enterrar as duas CPIs e conseguiram apenas 27.
Os vereadores Osvaldo Sanches (PPB) e Mílton Leite (PMDB), que constavam da relação de nomes conferida várias vezes por Wadih Mutran (PPB), na quarta-feira, não votaram e impuseram a maior derrota à bancada governista desde a aprovação da CPI dos Fiscais. A situação agravou-se após o fracasso da estratégia governista. O vereador Celso Cardoso (PPB), que pertence à Igreja Universal do Reino de Deus, rompeu o silêncio habitual e fez um desabafo em plenário hoje. "Chega de dizer que vai fazer isso, não faz, a gente dá a cara para bater e outros saem posando de bonito por aí", reclamou.
Ele se referia ao fato de os vereadores terem combinado derrubar a CPI da oposição e aprovar da proposta de Myryam, mas depois terem alterado a estratégia em plenário. Na verdade, a determinação era para sepultar os dois pedidos de CPI que estavam na pauta. "Se preciso for, votarei com a oposição", afirmou Cardoso. A posição do pepebista foi elogiada e poderá ser seguida por José Olímpio, seu colega de bancada. Os líderes do governo na Câmara, Brasil Vita (PPB) e Mutran, pediram a suspensão da sessão e reuniram-se numa sala perto do plenário. O vereador Aurelino de Andrade (PPB) não participou da conversa.
Na reunião, os governistas avaliaram a situação e conferiram se dispunham dos votos necessários para derrubar a CPI. Como não tinham, decidiram abandonar o plenário para não correr o risco de sofrer nova derrota. Crença - Na votação de hoje da CPI, a oposição não conseguiu nenhum voto a mais em relação à última sessão. Eles continuam contando com o apoio de 24 parlamentares, portanto, ainda faltam quatro votos para aprovar o requerimento. Mas acreditam que, diante do racha na bancada governista, os números podem ficar a seu favor. "Acho que dois votos estão praticamente garantidos, mas acredito que poderemos conquistar mais três ou quatro", avaliou hoje o vereador Roberto Trípoli (PSDB), indicado para presidir uma eventual CPI.
O requerimento das duas CPIs continua pendente, porque ainda não houve votos suficientes para aprová-lo ou rejeitá-lo. Na sessão de hoje, o requerimento obteve 24 votos a favor e duas abstenções. Os vereadores Mílton Leite (PMDB) e Maeli Vergniano (PL) não participaram da sessão. Os demais parlamentares fugiram
para que não houvesse quórum e o pedido voltasse a ser discutido na terça-feira.


