Governistas contavam com votos do PMDB
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segunda-feira, 17 de abril de 2000
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 18 (AE) - Os aliados do prefeito Celso Pitta (PTN) na Câmara estavam confiantes de que teriam os votos necessários para o arquivamento do processo de impeachment. A principal esperança dos governistas era a adesão do maior número possível de parlamentares do PMDB, considerado o fiel da balança no processo de votação.
Um importante interlocutor do Palácio das Indústrias na Câmara disse que os vereadores foram informados de que a abertura de um processo de impeachment acabaria atingindo vários parlamentares citados pela ex-primeira-dama Nicéa Pitta e durante as investigações sobre a máfia dos fiscais, no ano passado. "Há muitos acusados de terem recebido favores da Prefeitura, fato que acabará sendo investigado na Comissão Processante", confidenciou o vereador. Ele citou, por exemplo, as denúncias de irregularidades em módulos do Plano de Atendimento à Saúde (PAS), que eram controlados por vereadores da bancada governista, inclusive do PMDB.
Além disso, o secretário de Governo Municipal, Carlos Augusto Meinberg, conversou pessoalmente com os vereadores no Palácio das Indústrias.
Um vereador governista disse que a Prefeitura apelou para alterações no Orçamento para beneficiar bases eleitorais de governistas. As mudanças contemplariam obras em redutos eleitorais dos parlamentares que estão entrando em processo eleitoral. As modificações na distribuição dos recursos públicos seriam feitas imediatamente.
Outra promessa feita pelos articuladores do Palácio das Indústrias foi a de liberar cargos na administração àqueles que ajudassem a enterrar o processo de impeachment de Pitta na Câmara. "Os secretários municipais seriam os responsáveis pela distribuição dos cargos", disse um parlamentar da situação.
O vereador Toninho Paiva (PFL) foi um dos últimos a conversar com o secretário Meinberg, pela manhã. "Fui informá-lo sobre minha posição", justificou Paiva, que votou a favor da abertura do processo.


