São Paulo, 12 (AE) - Vereadores da base governista na Câmara articulam para agosto, quando termina o recesso parlamentar, a saída do secretário das Administrações Regionais, Domingos Dissei. O principal motivo da decisão, segundo alguns políticos que não quiseram se identificar, é que muitos vereadores perderam suas regionais e foram prejudicados politicamente com a série de deúncias de corrupção na administração municipal. Enquanto isso, Dissei, que também é vereador pelo PPB, como secretário, teria todas as regionais para exercer influência política e obter vantagens para as eleições do ano que vem.
O acordo para o afastamento de Dissei teria ocorrido há cerca de duas semanas, antes do recesso parlamentar, quando os governistas teriam feito duas reuniões. Em troca da aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias pela Câmara, foi pedida a troca de secretário. A posição dos vereadores teria sido comunicada ao secretário de Governo, Carlos Augusto Meinberg. Apesar de nenhum governista confirmar oficialmente o pedido de afastamento, a posição do secretário gera insatisfação em muitos vereadores. "Há uma movimentação na Câmara em relação à posição privilegiada de Dissei, tendo em vista a questão eleitoral. Isso está gerando desconfiança entre os vereadores", afirmou Miguel Colasuonno (PPB).
Antes de ser chamado para integrar o secretariado do prefeito Celso Pitta (sem partido), Dissei exercia influência política sobre a Administração Regional do Ipiranga. Outro parlamentar do partido, que pediu para não ser identificado, argumentou ainda que o secretário "não tem feito nada para melhorar a cidade". "Além de passar por cima da influência de vereadores, a cidade estava bem melhor na época do Savelli (Alfredo Mário, ex-secretário, que foi indiciado pela polícia)".
Procurado pela reportagem para comentar as declarações dos vereadores, Dissei limitou-se a afirmar que desconhecia os fatos. "Estou preocupado apenas em trabalhar, não há fundamento nessas fofocas". Segundo a reportagem apurou, algumas medidas do secretário, como a redução nos gastos dos serviços de varrição e mudanças no serviço de tapa-buracos teriam irritado os vereadores, que se sentiriam impedidos de usar sua influência para atender pedidos nas regionais.
Para o presidente da extinta CPI dos Fiscais, vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT), um possível afastamento de Dissei representaria a confirmação de que existiu uma negogiação com os vereadores para que a CPI e o impeachment do prefeito fossem arquivados. "Na época das votações, havia boatos de loteamento de secretarias, e entre elas estaria a SAR".
O secretário de Comunicação Social da Prefeitura, Antenor Braido, afirmou que não há intenção de exonerar Dissei. "O problema é que ele não está deixando alguns vereadores meterem a mão, e essa é a ordem do prefeito. Para trocar o secretário tem de haver um problema sério". Quanto à posição do secretário para as próximas eleições, Braido disse: "Caso ele se reeleja, isso é consequência do seu bom trabalho".

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