São Paulo, 10 (AE) - Os parlamentares que apóiam o prefeito Celso Pitta (sem partido) apresentaram hoje um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) numa manobra política para evitar que os partidos de oposição assumam novamente o controle de uma outra comissão para investigar denúncias contra vereadores que integram a bancada governista.
A já chamada "CPI governista" foi proposta pela vereadora Myryam Athie (PPB) e assinada por 22 parlamentares, mas uma outra ala da situação defende a abertura apenas de Comissões Processantes contra vereadores e quer incluir na investigação integrantes do PT e do PSDB, numa tentativa de mostrar para a opinião pública que a oposição também tem defeitos.
Os partidos de oposição - PT, PSDB, PC do B e PSB - começaram a discutir a nova CPI a partir das denúncias envolvendo a vereadora Maria Helena (PL) e o vereador Antônio Salim Curiati Júnior (PPB). Eles foram acusados por ex-funcionários de tomar parte dos salários, mas negam as acusações. Duas propostas - A líder do PT e o líder do PSDB, respectivamente Aldaíza Sposati e Dalton Silvano, entregaram o requerimento por volta das 16 horas. Em conjunto, a oposição inidicou o veredor Roberto Trípoli (PSDB) para a presidência. O requerimento de Myryam Athie foi protocolado após as 18h30. Os vereadores da oposição acusaram a proposta governista de impedir a investigação do Plano de Atendimento à Saúde (PAS) e do próprio prefeito Celso Pitta (sem partido).
"O requerimento governista libera o prefeito Celso Pitta e as cooperativas do PAS, que não são empresas e também não são contratadas pela Prefeitura", argumentou o vereador e ex-presidente da CPI dos Fiscais, José Eduardo Martins Cardozo (PT). "Essa CPI não pode investigar o prefeito, tampouco a primeira-dama de São Paulo", avaliou Carlos Néder (PT).
Myryam Athie discordou dos dois vereadores. Ela afirmou que, como o prefeito é um funcionário do Município, também é passível de investigação e que o PAS também poderá ser investigado, se houver necessidade. A CPI proposta pelas oposições prevê a investigação "de possíveis irregularidades praticadas por servidores públicos, particulares e agentes políticos nas atividades de fiscalização, cessão, licenciamento e contratação de particulares na gestão da cidade de São Paulo, bem como o exercício irregular de atividades funcionais em órgãos, autarquias e empresas municipais".
Já a comissão proposta pelos governistas pretende investigar "o possível envolvimento de vereradores, secretários municiais, servidores públicos, e, ainda, empresas que mantenham contrato com a Prefeitura Municipal e seus respectivos empregados, em esquemas de cobrança de propinas". Contra-ataque - A instauração de novas Comissões Processantes foi defendida pelos vereadores Miguel Colasuonno (PPB) e Paulo Roberto Faria Lima (PMDB). Faria Lima propôs a abertura de três comissões: uma para investigar a si próprio, outra para apurar acusações feitas no primeiro semestre contra a vereadora Ana Maria Quadros (PSDB) e uma terceira contra o vereador Arselino Tatto (PT).
"Se eu não puder subscrever a denúncia contra a minha pessoa, peço que o vereador Rubens Calvo (PSB) a faça, mas acho que chegou a hora de todos sermos investigados e termos a oportunidade de provar a nossa inocência", afirmou Faria Lima. Tatto e Ana Maria disseram não temer investigação alguma. Colasuonno deve propor a abertura de Comissão Procesante para investigar somente os vereadores Curiati Júnior e Maria Helena. As denúncias ainda não foram protocoladas.
Faria Lima e Colasuono defendem que a apuração pela Comissão Processante é mais rápida. Cardozo disse que, aprovar uma Comissão Processante para julgar pessoas sem base jurídica, é apenas "um subterfúgio político".

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