Brasília, 03 (AE) - Os senadores começaram hoje a amenizar o tom dos discursos em relação às irregularidades do sistema financeiro, atendendo a orientação do governo. Uma das idéias do Planalto, é colocar, durante as reuniões da CPI, senadores com "mais bom senso", como classificou um interlocutor do presidente Fernando Henrique.
O grande temor é que o desenrolar dos trabalhos da comissão de inquérito acabe sendo desastroso para o governo. O governo reconhece que a operação de socorro aos Bancos Marka e FonteCidan foi infeliz e precisa de explicação. "Mas o Senado e o governo estão cada vez mais ridicularizados com o despreparo e a prepotência dos integrantes da CPI", avalia este interlocutor.
A preocupação de Fernando Henrique foi transmitida este fim de semana para o ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga. Hoje, foi iniciada uma movimentação dentro do PSDB para revigorar a imagem da CPI. Depois de uma reunião no Ministério das Comunicações com vários senadores do partido, incluindo o líder da bancada Sérgio Machado (CE) e os dois integrantes do PSDB na CPI, Lúcio Alcântara (CE) e José Roberto Arruda (DF), os tucanos saíram com um discurso afiado. "A CPI não pode ficar em cima da exploração política, o que só desgasta o governo", avaliou Alcântara.
Durante a reunião, Veiga afirmou que o País está no começo de uma recuperação da economia e que os riscos ainda são enormes. Para Veiga, a CPI precisa deixar de fazer "show" em cima de funcionários do Banco Central. Outro alerta feito na reunião, foi com o tratamento "humilhante" dispensado pelos senadores a esses mesmos funcionários. "Os senadores estão exagerando; afinal, ninguém pode humilhar testemunhas", alertou o líder tucano. "Essa postura está pegando muito mal", completou. O senador Paulo Hartung (PSDB-ES) também fez críticas. "A CPI corre o risco de perder credibilidade se não for melhor assessorada", avaliou Hartung.
No campo político, a CPI está trazendo sérios problemas a Fernando Henrique. Ele confidenciou a um ministro, ontem (02), que começou a "assimilar o golpe", fazendo uma referência à disputa entre os aliados visando as eleições de 2002. Dentro do Planalto, a CPI é vista como o melhor palanque para quem está interessado na sucessão de Fernando Henrique. Para evitar uma fragmentação ainda maior da base, o presidente começa a articular o seu apoio político.
Uma das idéias que começa a ganhar força é a criação de um conselho político integrado pelos presidentes dos partidos da base com o objetivo de recuperar a harmonia entre os aliados. Integrantes do PMDB, PFL e PPB insistem que só o próprio Fernando Henrique tem ascendência entre todos os aliados. Até porque o confronto entre o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), com Veiga prejudicou a ação do ministro das Comunicações como articulador político.

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