Governante pede indenização por erro médico
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de março de 1999
Por Thélio de Magalhães 
São Paulo, 19 (AE) - A governanta Manoelina Monteiro, de 47 anos, que por erro de diagnóstico do Hospital de Base de São José do Rio Preto durante mais de sete anos recebeu tratamento especializado contra a AIDS, entrou hoje com ação indenizatória, no Fórum da Fazenda Pública, por danos morais e materiais. Seu advogado, Paulo Santo André, deixa a critério do juiz o valor da indenização. Insiste, porém, que a Fazenda do Estado e a Fundação Faculdade Regional de Medicina de São José do Rio Preto
mantenedora do hospital, sejam condenadas a pagar quantia condizente com a "reprobabilidade social do erro médico e ao grau de lesão que a demandante sofreu".
Manoelina, ao ser informada que estava contaminada pelo vírus HIV, sofreu derrame cerebral que paralisou todo o lado esquerdo de seu corpo, que até hoje a obriga a usar cadeira de rodas. Manoelina foi internada no Hospital de Base em novembro de 91, em razão de pressão alta. Durante 19 dias se submeteu a vários exames, dentre eles o de HIV. Ao receber alta foi informada de que o resultado sororeagente fora positivo.
A paciente sofreu os efeitos colaterais do longo tratamento anti-AIDS. Perdeu o emprego e foi discriminada, constando de sua ficha de atendimento em uma instituição filantrópica que "o contágio da moléstia resultou de relação sexual".
O erro médico só foi desfeito em agosto de 98, através de dois laudos do Instituto Adolfo Lutz, além do laudo de clínica particular. Os laudos emitidos asseguram que Manoelina "nunca foi portadora do vírus do HIV".


