São Paulo, 20 (AE) - Os governadores de São Paulo, Pernambuco, Alagoas e Mato Grosso do Sul propuseram hoje a criação de uma Frente dos Estados produtores de cana de açúcar e álcool que promova a discussão da matriz energética do Brasil. A proposta dos governadores é estimular o consumo do álcool como fonte de energia alternativa ao petróleo.
Houve um consenso entre os governadores, reunidos nesta tarde no seminário "álcool: o combustível do novo milênio?", promovido pelo Instituto da Cidadania, de que o País, apesar do pioneirismo no uso do carro a álcool, abandonou uma idéia promissora. O governador de São Paulo, Mário Covas, citou as resistências de setores fortes da economia, como a indústria automobilística e a Petrobras, contra o programa que conquistou milhões de adeptos nos anos 80 quando o Brasil desenvolveu o álcool como uma alternativa ao petróleo.
Ao mesmo tempo que os governadores concordam com a retomada do programa de estímulo ao carro à álcool, ainda não têm consenso de como fazer isso. Todos, no entanto, se queixam do governo federal, que tem se mostrado lento em estimular alternativas ao petróleo, enquanto países como os Estados Unidos têm programas de incentivo a fontes alternativas de energia, embora tenham fontes abundantes de petróleo, carvão e urânio.
Os Estados do Nordeste, como ponderou o governador de Alagoas, Ronaldo Lessa, dependem historicamente da produção da cana e, mais recentemente, também do álcool. À medida que o Sul do País desenvolveu sua produção, sendo que hoje São Paulo detém a liderança do setor, os nordestinos perderam a competitividade, porque não alcançaram a produtividade do Sudeste. No seminário, governadores do Nordeste defenderam alguma forma de subsídio à cadeia produtiva sucroalcooleira.
"Não queremos nem a esmola nem o subsídio. Queremos uma política séria que possa ser adotada nacionalmente", disse o governador de Alagoas. Segundo o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, se fossem concedidos subsídios, eles não deveriam vir de recursos do governo federal. A alternativa sugerida seria de um imposto sobre o consumo da gasolina, a ser pago pelo consumidor.
Hoje, 1,3 milhão de empregos no País dependem da cadeia sucroalcooleira, sendo que 600 mil trabalhadores estão na área rural do Estado de São Paulo. O setor também responde por 8% do Produto Interno Bruto (PIB) agrícola nacional e 35% do PIB paulista, segundo informou Mário Covas.
O Estado do Mato Grosso do Sul, que nasceu simultaneamente ao Proálcool, é um dos Estados mais dependentes da produção sucroalcooleira do País. Afora a pecuária, a cana é a segunda fonte de arrecadação direta de ICMS do Estado. São nove usinas que cultivam 106 mil hectares com cana-de-açúcar que produziram 325 milhões de toneladas de açúcar e 370 milhões de litros de combustível em 1999, gerando 15 mil empregos diretos. "Para nós, essa discussão é estratégica", sustentou Zeca, que vai promover um seminário internacional sobre o tema em agosto.
No momento, o governador do Estado, Zeca do PT, acompanha com ansiedade os esforços do ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, para quebrar as barreiras de exportação do açúcar para a Argentina, já que o Mato grosso do Sul consome apenas 1/3 tanto da produção de álcool como da de açúcar e tem um enorme potencial para exportação. Em 99, o Mato Grosso do Sul exportou 25 mil toneladas de açúcar para o Uruguai e deve exportar 40 mil toneladas neste ano, segundo prevê o governador.
O governo de São Paulo informou hoje que o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) vai reunir nesta quinta-feira representantes das montadoras e produtores de álcool, para discutir a produção de motores que poderão funcionar tanto a álcool como à gasolina. O carro bicombustível é viável.

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