Aracaju, 15 (AE) - Não falar muito alto, para ninguém achar que se está comprando briga com o governo federal, nem tão baixo
que pareça estar acuado. Foi com esse espírito que o governador de Sergipe, Albano Franco (PSDB), o anfitrião, e os governadores aliados ao governo federal iniciaram hoje o segundo encontro dos administradores estaduais. O primeiro foi em fevereiro, na Granja do Torto - uma reunião patrocinada pelo governo federal, com o objetivo de esvaziar uma mobilização motivada por uma situação crítica das finanças estaduais. De lá para cá, as medidas efetivamente tomadas pelo governo federal não resultaram em mais recursos para os cofres estaduais; e as que promete tomar no futuro são consideradas insuficientes.
Mesmo assim, em dia de reforma ministerial os governadores aliados baixaram o tom. Já os de oposição, reclamaram: "Não viajei sete horas, de Campo Grande para cá, para almoçar; quero que daqui saiam propostas objetivas", afirmou o governador do Mato Grosso do Sul, José Orcírio, o Zeca do PT.
Os participantes evitaram colocar na mesa a questão da guerra fiscal porque ela divide igualmente o bloco dos governistas e o dos oposicionistas. "A concessão de incentivos para a Ford instalar-se na Bahia privilegia segmentos, fragiliza o governo federal e invalida o comportamento sério e ético que o governo do Rio Grande do Sul teve, ao questionar os incentivos dados pelo seu antecessor", dizia Zeca, antes do encontro. "Nós (governadores nordestinos) defendemos deslocar o eixo de produção para o Nordeste", rebateu o governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB).
Fora da sala do encontro, o assunto guerra fiscal - mais especificamente incentivos federais para a Ford na Bahia - era discutido. "Não estou contra a Bahia, estou contra o governo federal", disse o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB). "A Bahia está fazendo o seu papel; quem está fazendo errado é o governo federal."
A agenda da reunião de hoje e as propostas trazidas por governistas e oposicionistas pouco diferiram de todas as outras que aconteceram desde a posse, em 1º de janeiro - as ocorridas entre todos os governadores, as de oposicionistas e a ocorrida na semana passada, em Recife, só com os governadores nordestinos.
De imediato, a reivindicação unânime é a de que o governo antecipe o fim do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) - que prejudica principalmente os Estados mais pobres -; resolva de uma vez as perdas da Lei Kandir - que atrapalha a vida principalmente dos mais industrializados; e mude o Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Apoio ao Magistério (Fundef), que pune mais os Estados que não têm dinheiro para investir em educação básica.
Mas eles também querem, por questão de sobrevivência, ajuda para formar fundos de pensão estaduais, como o governo está fazendo com Santa Catarina - a maioria deles compromete quase metade da folha para pagar inativos - e a inclusão, na lei de responsabilidade fiscal, de limites para gastos do Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas e Legislativo.

mockup