Governadores e ministros podem reabrir diálogo
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terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
por Nelson Breve 
Brasília, 9 (AE) - Os governadores Olívio Dutra (PT), do Rio Grande do Sul; Anthony Garotinho (PDT), do Rio de Janeiro; e Ronaldo Lessa (PSB), de Alagoas, reúnem-se hoje no Ministério da Fazenda com os ministros Pedro Malan, Pimenta da Veiga (Comunicações) e Waldeck Ornelas (Previdência). O encontro está sendo considerado um "ato de boa vontade", de ambas as partes, que poderá reabrir o diálogo interrompido com a divulgação da "Carta de Porto Alegre", que deverá ser entregue aos ministros no encontro de hoje. "Essa foi a forma encontrada para sairmos do impasse", explica Ronaldo Lessa.
"Os ministros serão nossos interlocutores e esperamos que seja marcada uma nova data para conversarmos com presidente Fernando Henrique Cardoso", avisa o governador, frisando que o encontro reivindicado é com os representantes do grupo dos sete governadores da oposição e não conversas individuais com o sugerem os articuladores políticos do governo, que defendem uma negociação técnica para a rolagem das dívidas estaduais.
Os governadores de oposição reconhecem o componente técnico da discussão, mas reafirmam que a negociação é política. O governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), por exemplo, quer que o Banco Central (BC) libere com urgência informações sobre a liquidação do Produban, o antigo banco estadual. Lessa deseja vender a carteira imobiliária do banco e da Cohab estadual, estimadas em R$ 210 milhões, para a Caixa Econômica Federal, mas a negociação está emperrada pela falta de informações do BC. O dinheiro seria utilizado para pagar parcelas da dívida com a União acumuladas entre a assinatura dos contratos e a autorização do Senado. O Estado também quer um ressarcimento diferenciado pelas perdas de arrecadação resultantes da Lei Kandir e a exclusão dos repasses do Fundo de Valorização do Magistério (Fundef) da base de cálculo da receita líquida que determina o valor das parcela s da dívida com a União. Segundo Lessa, a solução para essas questões técnicas aliviaria bastante as finanças de Alagoas. "As questões são técnicas mas a solução é política", afirma o governador. "Se não fosse assim, não seria o ministro Pimenta da Veiga (articulador político do governo) quem estaria resolvendo essas gestões", sustenta.


