Governadores do NE discutem amanhã maior atenção do governo
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2000
Por Biaggio Talento 
Salvador, 27 (AE) - Uma reunião entre os governadores dos nove Estados do Nordeste, amanhã (28), em Salvador, terá como objetivo cobrar uma maior atenção do governo federal para a região e defender interesses comuns.
O governador da Bahia, César Borges (PFL), que vai ciceronear o encontro, disse que a guerra fiscal não foi a motivação imediata do evento, mas admite que as queixas de tratamento diferenciado do Planalto, que privilegiaria o Sul e Sudeste em detrimento do Nordeste, obrigando os Estados a adotar estratégias próprias de atração de investimentos, deve congregar os governadores. "Não tenha dúvida que o Nordeste se sente preterido no desenvolvimento do País", disse.
Marcada para começar às 10h30, a reunião deve durar, no máximo, três horas. Todos os governadores confirmaram presença. O pernambucano Jarbas Vasconcelos (PMDB) acredita que os governadores da região devem se unir ainda mais e fechar um discurso comum para o encontro nacional de chefes de Executivos estaduais, que será realizado em Curitiba, no dia 4. Vasconcelos quer tratar amanhã dos convênios federais de interesse do Nordeste, como o Prodetur, de incentivo ao turismo, o Programa de Combate à Pobreza e as reformas tributária e fiscal. Para o governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), o desenvolvimento da região será alcançado na medida que os dirigentes adotem políticas conjuntas de desenvolvimento e mecanismos de proteção regional. "É a fórmula para obtermos mais força junto ao governo federal e nos inserirmos no mundo globalizado", afirmou. Os governadores reinvindicam ainda o parcelamento das dívidas dos Estados, estabilidade fiscal e ressarcimento das supostas perdas dos valores do Fundo de Valorização do Magistério (Fundef), recursos repassados pelo Ministério da Educação (MEC).
Na pauta da reunião, também constam o Fundo de Financiamento do Nordeste (FNE) e a recém-aprovada Lei da Responsabilidade Fiscal. O foco de todas essas questões, de acordo com Borges, é a falta de uma política diferenciada de parte do governo federal para diminuir as desigualdades regionais.


