Brasília, 9 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho, afirmou que os governadores agora vão discutir se aceitam ser recebidos individualmente pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo o ministro Pimenta da Veiga, FHC decidirá se os receberá em grupo ou individualmente. O governador de Alagoas, Ronaldo Lessa, disse, ao final da reunião com os ministros, que a situação do Rio ficará igual à de Alagoas no momento em que o Senado aprovar o acordo de renegociação das dívidas, pois nesse momento haverá parcelas atrasadas a pagar.
O governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), disse há pouco, em entrevista coletiva após encontro de três dos governadores de oposição - do próprio Rio Grande, do Rio de Janeiro e de Alagoas - com os ministros da Fazenda, da Previdência e das Comunicações, que não foi "tirada" nenhuma resolução na reunião, em que os governadores reafirmaram aos ministros a necessidade de o governo federal retirar as medidas "retaliativas" impostas aos Estados que querem renegociar suas dívidas. "Isso não cria clima favorável para reconstrução do pacto federativo", afirmou Olívio. Segundo ele, os governadores reafirmaram, também, a Carta de Porto Alegre, na qual reconhecem as dívidas mas informam a incapacidade dos respectivos governos de saldá-las sem sacrificar as políticas públicas. O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, que participou da entrevista, contestou apenas a adjetivação de "retaliativas" para as medidas tomadas pelo governo federal. Segundo ele, elas representaram apenas o cumprimento dos contratos dos Estados com organismos internacionais avalizados pela União. Pimenta disse, ainda, que alguns pontos levantados pelos governadores são procedentes e devem ser analisados pelo governo. Como exemplo, ele citou as despesas com os poderes Legislativo e Judiciário em todas as esferas de governo. Quando questionados sobre a sugestão dada ontem pelo porta-voz da Presidência da República, Sérgio Amaral, para que os governadores que estão isnatisfeitos com a renegociação voltem atrás na situação de endividamento, em que os juros eram muito mais elevados que os negociados com a União, o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PDT), encerrou a entrevista, dizendo: "Não vamos botar mais lenha na fogueira. Cada um vai ver o seu caso".

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