Governadores de oposição afinam discurso para reunião com FHC
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 18 (AE) - Os governadores de oposição pretendem unificar o discurso para a reunião que o presidente Fernando Henrique Cardoso terá com todos os 27 governadores no próximo dia 26, na Granja do Torto. A intenção é forçar o presidente a discutir questões de interesse dos Estados dentro de uma pauta mínima de assuntos. Entre os pontos considerados consensuais entre os governadores de esquerda estão a renegociação da dívida
o fim das retaliações aos Estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul e uma solução para as perdas geradas pela Lei Kandir.
Os governadores do bloco de oposição chegaram a anunciar uma reunião no dia 25 - véspera do encontro com Fernando Henrique - com o objetivo de chegar a uma posição afinada em relação as propostas que levarão para a Granja do Torto. Mas para evitar o afastamento do governador mineiro Itamar Franco (PMDB-MG) , que não virá à Brasília, a reunião das oposições acabou sendo cancelada. "Não vai ter reunião sem Itamar", disse o governador do Acre, Jorge Viana (PT). "Afinal, como fazer uma reunião do grupo de oposição sem o governador mineiro?", completou o petista.
Hoje, até o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PDT), já mudava o tom sobre a reunião, referindo-se apenas a um "bate-papo informal para troca de idéias".
Temor - A idéia de chegar na Granja do Torto com discurso único surgiu durante o carnaval. Ela partiu do presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que passou o feriadão pescando no Mato Grosso do Sul acompanhado pelo governador Zeca do PT. Lula teme que a presença do grupo de esquerda na reunião com todos governadores sirva apenas para que o presidente Fernando Henrique apareça nos jornais do dia seguinte ao lado dos seus opositores demonstrando o impasse entre eles estivesse superado.
"Não dá para o grupo de oposição ficar fazendo figuração junto do presidente", disse Lula para o governador Zeca do PT. "Caso contrário, no outro dia, os governadores estarão em todos os jornais em fotos ao redor de uma mesa farta de frutas tropicais com a legenda: opositores fazem as pazes com FHC", completou Lula. Esse argumento, aliás, também é a principal preocupação do governador gaúcho Olívio Dutra (PT). Por isso a agenda mínima deverá ser levada na reunião do dia 26, tendo ou não o encontro preparatório do grupo de oposição.
A renegociação da dívida dos Estados será a principal questão levada na reunião pelos governadores de esquerda. "É bom lembrar que o novo acordo com o Fundo Monetário Internacional irá afetar a vida dos Estados", disse o governador Jorge Viana. "Também é preciso ficar claro que se o governo federal está encontrando dificuldades em suceder ele mesmo, imagine nós que estamos assumindo uma administração que era comandada por nossos opositores", avaliou Viana, ressaltando que o grupo de governadores de esquerda pedirá o fim das sanções impostas aos Estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
O governador Zeca do PT (MS) também irá colocar na pauta de debates uma solução para a perda com a criação da Lei Kandir. "Em dois anos o Mato Grosso do Sul perdeu R$ 147 milhões em isenções de ICMS", observou o secretário de Fazenda do Estado, Paulo Bernardo, que esteve hoje em Brasília com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente. "Ele mostrou-se sensível com o problema, mas acha que o governo não terá condições de ressarcir ainda mais os Estados", disse Bernardo, depois de falar com Parente. O Mato Grosso do Sul também pedirá uma forma de compensação do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER) já que durante oito anos o Estado recuperou rodovias federais, totalizando um gasto de R$ 500 milhões.


