Os governadores da Bahia e de Goiás criticaram ontem o Plano Nacional de Segurança Pública e cobraram resultados do governo federal. Para eles, que não foram consultados, os recursos são insuficientes e a ação nos Estados também não exclui maior eficácia na atuação do Executivo. ‘‘Os recursos são poucos e o programa é muito disperso’’, atacou o governador da Bahia, César Borges (PFL). ‘‘Com este dinheiro apenas se arranha o problema da criminalidade, precisamos de dinheiro efetivo, senão este plano vira jogo de cena’’, acrescentou.
‘‘O que precisamos é da contrapartida do governo’’, afirmou o governador de Goiás, Marcone Perillo (PSDB). ‘‘O que depender de cada Estado, os governadores farão’’, garantiu. ‘‘O governo tem que cumprir a sua parte’’, endossou Borges. Ele defendeu uma melhor atuação da Polícia Federal, o controle da entrada de armas no País e o maior controle das fronteiras.
Os governadores foram recebidos pelo presidente Fernando Henrique Cardoso no Palácio do Planalto para a solenidade de lançamento do programa comunidade ativa, voltado para os municípios mais pobres do País.
Apesar das críticas, esses políticos elogiaram o lançamento do Plano e apoiaram a proposta do uso das Forças Armadas na fronteira. Para os governadores, é importante a presença ostensiva dos militares nas fronteiras brasileiras como forma de combater o narcotráfico. ‘‘Para um Estado como o nosso, que tem localização estratégica como corredor do narcotráfico, qualquer ajuda é importante’’, afirmou José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, governador do Mato Grosso do Sul.
Para o governador do Mato Grosso, o tucano Dante de Oliveira, a ajuda federal para a área de segurança já vem tarde. ‘‘Agora queremos sentar à mesa e colocar em prática o programa’’, acrescentou. Ele ainda tem dúvidas sobre a real participação das Forças Armadas nas fronteiras. ‘‘De que forma se dará o apoio à Polícia Federal? Eu prego o uso ostensivo’’, disse.
Contrariando opinião de seus colegas ligados à base de sustentação ao governo, Zeca do PT aprovou os R$ 330 milhões que comporão o Fundo Nacional de Segurança Pública, montante criticado por outros governadores. ‘‘Não sei se é suficiente, mas com certeza é um gesto de boa vontade do governo’’, disse.
O neto do pacifista indiano Mahatma Gandhi, Arun Gandhi, disse que o plano de segurança é uma forma de gerenciamento de crises e não um meio eficaz de combate à violência. Arun esteve em Brasília ontem participando de uma conferência sobre paz, organizada pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) e pela Universidade da Paz. ‘‘A sociedade está acostumada a gerenciar crises e quer soluções rápidas para problemas de segurança. Mas, enquanto ela não for às raízes dessas crises, as medidas tomadas serão pouco eficientes’’, disse.

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