Rio de Janeiro - Pela primeira vez, a governadora do Rio, Rosinha Matheus (PSB), não descartou a possibilidade de utilizar as Forças Armadas para ocupar as áreas críticas da cidade e combater a violência provocada por traficantes de drogas. Questionada ontem sobre a proposta do secretário estadual de Segurança Pública, coronel Josias Quintal, de colocar o Exército nas ruas, ela respondeu que ''está aberta a conversas''. ''Eu conversei com o ministro da Justiça (Márcio Thomaz Bastos) e depois com o superintendente da Polícia Federal no Rio (Marcelo Itagiba) e eles se colocaram à disposição. Nós queremos conversar e saber o que eles têm para oferecer.''
Ontem, Quintal disse que, com a ocupação das áreas mais críticas da cidade, o trabalho da Polícia Militar ficaria facilitado. ''A polícia não pode ser onipresente. A região metropolitana do Rio tem mais de 650 favelas'', justificou. ''É uma questão de matemática. A polícia não tem efetivo para estar presente em todos os lugares. Creio que devemos contar com todos os recursos do governo para evitar ações como as de segunda-feira'', completou.
A governadora voltou a afirmar que, assim que a cúpula da segurança tomou conhecimento, na noite de domingo, de que as ações violentas estavam sendo planejadas, todo o efetivo das polícias Civil e Militar foi posto na rua - 70 carros da Polícia Civil na capital e 16 mil PMs em todo o Estado (normalmente, são de 8 mil a 10 mil).
Rosinha também disse que telefonou para o ministro da Justiça para tratar da questão da transferência do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. ''O ministro falou da importância de transferirmos Beira-Mar do Rio para um presídio federal. É um dos problemas sobre o qual nós queremos entrar num entendimento com o governo federal. Temos que acertar o que faremos com Beira-Mar, porque nós sempre falamos que ele é um preso de responsabilidade federal.''

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