Governador quer marcar dia e hora para ir a júri de massacre
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quarta-feira, 04 de agosto de 1999
Por Carlos Mendes 
Belém, 05 (AE) - O governador do Pará, Almir Gabriel (PSDB), arrolado como testemunha de defesa dos 150 policiais militares envolvidos no massacre de 19 trabalhadores rurais sem-terra em Eldorado dos Carajás, no sul do Estado, pediu hoje ao juiz Ronaldo Vale, encarregado do processo, para comparecer ao julgamento em dia, hora e local previamente acertados. As sessões do Tribunal do Júri começam no próximo dia 16 e serão concluídas no dia 2 de dezembro, no auditório da Universidade da Amazônia (Unama).
Gabriel goza da prerrogativa de depor em juízo em dia e hora marcados em razão do cargo que ocupa. Pela lei, ele teria de comparecer às 27 sessões do julgamento, como ocorrerá com todas as outras testemunhas. Além do governador, são testemunhas dos militares o secretário de Defesa Social e da Segurança Pública, Paulo Sette Câmara, e o ex-comandante-geral da Polícia Militar, coronel Fabiano Lopes. O juiz informou que está analisando o pedido do governador. Vale dará a resposta no início da próxima semana.
O advogado Jânio Siqueira, defensor do coronel Mário Pantoja, acusado pelo Ministério Público de ordenar o massacre, anunciou que até o próximo dia 10 será julgado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) um pedido de habeas-corpus em favor de Pantoja. O objetivo de Siqueira é impedir que o julgamento comece no próximo dia 16. "O processo tem falhas graves que precisam ser corrigidas", resumiu ele.
O promotor Marco Aurélio Nascimento quer a pena máxima, 30 anos de prisão, para todos os oficiais denunciados pelo Ministério Público. "O que houve foi uma execução sumária dos sem terra", afirma ele, acrescentando que alguns lavradores foram mortos com "requintes de crueldade".


