Governador muda secretário e comandante da PM no DF
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sexta-feira, 03 de dezembro de 1999
Por Mariângela Galucci e Tânia Monteiro 
Brasília, 03 (AE) - O governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB), afastou hoje o secretário de Segurança Pública, Paulo Castelo Branco, e três oficiais da Polícia Militar de seus cargos: o coronel Mário Moura dos Santos Filho e os tenentes coronéis Mário Vieira de Souza e Paulo César Timothéo, que comandaram, na quinta-feira, a ação da Polícia Militar do Distrito Federal em frente da Novacap, empresa de urbanização do DF. De acordo com uma nota oficial divulgada hoje pelo governador, os afastamentos são temporários até que sejam apuradas as responsabilidades na operação da PM que resultou na morte do servidor José Ferreira da Silva e deixou vários feridos.
"Meu governo não comete faltas nem excessos e não se deixa levar por julgamentos precipitados e ditados pela emoção"
dizia a nota assinada por Roriz. O governador permaneceu quase todo o dia hoje reunido, em sua casa, com o secretário e o comandante que foram afastados.
Posse - O novo secretário de Segurança e o novo comandante da PM tomaram posse hoje mesmo. O ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça José de Jesus é o novo secretário de Segurança. Ele foi secretário-executivo do Ministério da Justiça quando a pasta era ocupada por Íris Rezende. O coronel Dirney Ferreira é o novo comandante da PM do Distrito Federal.
Horas antes de ser afastado do cargo, o ex-secretário de Segurança declarava que não abriria mão de seu posto. "Eu não peço demissão", disse na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Distrito Federal. "Meu passado como advogado, como membro dos conselhos seccional e federal da OAB e membro da Comissão de Ética na política garantem a lisura na apuração dos fatos", afirmou. "Se quiserem encobrir a apuração, me tirem do cargo, mas, se quiserem a lisura na apuração, me mantenham no cargo", disse. Mais tarde, porém, o próprio Castelo Branco acompanhou a posse do novo secretário.
Os líderes das duas principais centrais sindicais pediram hoje ao ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, que a Polícia Federal assuma as investigações para apurar responsabilidades na morte de José Ferreira da Silva e o ferimento de outras pessoas. Isenção - Na avaliação dos líderes
nem o governo do Distrito Federal nem a Secretaria de Segurança nem a Polícia Militar terão isenção para apurar os fatos. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, pediu mais: ele quer a intervenção na PMDF pelo Palácio do Planalto. Segundo o sindicalista, isso poderia ser feito já que o governo federal paga a PM do Distrito Federal.
Os pedidos foram encaminhados por Parente ao ministro da Justiça, José Carlos Dias. Hoje Parente telefonou para o presidente Fernando Henrique Cardoso - que pediu ao ministro que recebesse os sindicalistas, já que estava embarcando para o Rio de Janeiro - para fazer um relato das conversas com os sindicalistas, que foram ao Planalto com queixas em relação à atuação da PMDF em manifestações em Brasília. Entre os presentes na audiência, além do presidente da Força Sindical, estavam o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vicente Paulo da Silva, vários parlamentares do DF e o pai adotivo do funcionário morto, Jurandir Ferreira.
Vicentinho classificou como "inaceitável" e "absurdo" o que aconteceu na última quinta-feira. A CUT vai processar não só o secretário de Segurança Pública, que comandou a operação, como o governador Joaquim Roriz por responsabilidade na morte e nos ferimentos aos servidores. Para Vicentinho, a demissão de Castelo Branco não é suficiente. "Na capital da democracia, onde são realizadas dezenas de manifestações, não podemos ter um governador truculento como esse", disse Vicentinho, referindo-se a Roriz.


