Governador faz apologia ao MST
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segunda-feira, 09 de fevereiro de 2004
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O governador Roberto Requião (PMDB) fez ontem, durante a reunião semanal do secretariado, uma apologia ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). No início da reunião, foi apresentado um vídeo sobre o MST, produzido pela Secretaria de Estado da Comunicação Social. A intenção, segundo o próprio governador, foi mostrar o lado produtivo do movimento, que completou 20 anos no mês passado. Requião não escondeu sua simpatia pelo movimento, e disse acreditar ser necessário mostrar o outro lado do MST. O vídeo foi mostrado à equipe de governo exatos dois dias depois de os sem-terra desocuparem as praças de pedágio tomadas desde a última quarta-feira por conta do reajuste das tarifas.
''O MST não pode ser só maltratado pelo Estadão (O Estado de São Paulo) e pelos grandes órgãos de comunicação. Ele precisa mostrar o seu outro lado, que é o lado da produção, da vontade de trabalhar. Pretendo por exemplo organizar um festival de música pela reforma agrária no Brasil. Os Mesquitas (donos do Estadão) poderiam fazer letras contra a reforma agrária, elas também participariam do festival'', ironizou o governador.
As declarações de Requião ontem podem ser interpretadas como uma resposta à matéria produzida pela Agência Estado, do grupo Estadão. A matéria publicada também pela Folha informa que o MST terá um programa de tevê, orçado em R$ 300 mil, sustentado pela TV Educativa do Paraná. Em entrevista à Folha, publicada no domingo ainda, Marcos Batista, o novo diretor geral, confirma que um festival de música do MST será transmitido pela tevê e rádio oficiais. Batista não falou em números.
O vídeo apresentado ontem aos secretários e demais escalões do governo mostrou entrevistas com lideranças do movimento e o que foi tratado como ''conquistas dos sem-terra''. Dentre as quais, foi dito que os integrantes do MST obtiveram diplomas universitários e conseguiram comprar um carro zero quilômetro e outros equipamentos agrícolas em conjunto, fruto de um trabalho em grupo. O vídeo frisa o amor à terra por parte do movimento. E traz também um crítica à gestão anterior, de Jaime Lerner (PSB), adversário político de Requião. Um dos entrevistados falou da ''a truculência do Estado na era Lerner'' e da morte de sem-terra.
Não foi só Requião quem falou bem dos sem-terra. Aliás, esta não foi a primeira vez que o governador elogiou o movimento. Assim que desembarcou da Índia, na semana passada, disse que o povo indiano precisaria de um MST para combater a miséria. O secretário de Estado da Segurança, Luiz Fernando Delazari, lembrou que foram feitas 40 desocupações pacíficas de áreas invadidas no Estado, desde o início do governo, em janeiro de 2003. No entendimento de Delazari, o governo do Estado vê os sem-terra como movimento social e não caso de polícia, por isso evita o uso de violência.
O secretário de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann, também fez coro durante a reunião. ''Conheci essa gente em barracos, na beira da estrada. O que mais me comove é vê-los se formando médicos, advogados, agrônomos, ou agricultores bem-sucedidos'', declarou. O secretário, que é filiado ao PT, disse que fica muito feliz ao ver o progresso da miséria para pessoas com identidade.


