A presença do governador Geraldo Alckmin na negociação com Fernando Dutra Pinto, 23, teria evitado uma ''carnificina'' na casa do apresentador Silvio Santos, no dia 30 agosto deste ano. A tese nasceu de diálogo travado entre o secretário de segurança pública, Marco Vinício Petreluzzi, e o apresentador.

O secretário divulgou a informação ontem na ação judicial contra os supostos sequestradores. Além dele, o governador Geraldo Alckmin e o comandante da Polícia Militar, Rui Cesar Melo, também foram ouvidos.

Segundo estimativa dos advogados e do Ministério Público (MP), o julgamento deve terminar nos próximos 30 dias. O processo está nas mãos do juiz Adilson de Araújo, da 30 Vara Criminal de São Paulo. Com o término das audiências, os advogados e o Ministério Público terão 24 horas para pedir novas diligências ou laudos de perícia.

Depois desse tempo, haverá apresentação das alegações finais, por escrito, e o juiz dará a sentença. A advogada Simone Badan Caparroz e o promotor Dimitrios Eugenio Bueri afirmaram hoje que não irão solicitar mais provas, o que agiliza a sentença.

No dia 21 de agosto, Patricia Abravanel, 23, filha do empresário, foi sequestrada quando saía de casa no Morumbi (zona sul de SP). Sete dias depois, ela foi libertada mediante pagamento de resgate. Pinto, então o principal suspeito da polícia, voltou à casa do apresentador no dia 30, tornando-o refém até a chegada do governador, para negociação.

Os advogados de defesa de Fernando Dutra Pinto afirmam que não houve crime de sequestro quando o rapaz invadiu a casa do apresentador. Para configurar o delito, é preciso ''sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem'', conforme o Código Penal.

A defesa de Pinto afirma que não houve pedido de vantagem nesse episódio e que o rapaz queria apenas preservar sua integridade física.

O MP contesta baseado na versão do coronel Melo. Ao chegar à casa do empresário, Pinto teria solicitado uma ''aeronave'' (helicóptero) e perguntado quanto dinheiro havia no lugar. Tanto a defesa como o MP avaliaram como ''bom'' o depoimento das testemunhas ontem. Convocadas pelos advogados que representam os acusados, as autoridades confirmaram a versão de Silvio Santos dizendo ter sido ele quem solicitou a presença do governador.

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