Recife, 07 (AE) - Entidades de direitos humanos encaminharam hoje, ao governador Jarbas Vasconcelos (PMDB), uma carta relatando torturas sofridas por três trabalhadores sem-terra ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), domingo, nas dependências da Companhia Independente da Polícia Militar, em Cabrobó, a 606 quilômetros do Recife. As entidades pedem apuração do caso e a designação de um promotor público para acompanhar o inquérito policial. A carta é assinada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE), Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetape), grupo Tortura Nunca Mais, Centro Dom Hélder Câmara (Cendhec) e Comissão Pastoral da Terra (CPT), além do MST.
Os sem-terra Édson Alves dos Santos, 18 anos, Luiz Santos da Silva e Antonio Carlos Oliveira, ambos com 28, formalizaram a denúncia de tortura hoje na sede da OAB. Eles disseram ter levado chutes e pontapés pelo corpo, tapas nos ouvidos e afirmaram que suas orelhas foram perfuradas com um grampeador de papel. Segundo os trabalhadores, as agressões foram feitas por quatro homens, um deles encapuzado, e assistidas por cerca de 30 policiais militares. Eles também acusam o major José Manoel Rodrigues Batista, comandante da Companhia Independente, de ter jogado o grampeador para os agressores antes de sair da sala onde eles eram espancados. O major negou as acusações.
Os sem-terra vivem no acampamento Aracapá, em Orocó, vizinho a Cabrobó e foram levados à Companhia por policiais militares que procuravam a carga desviada de um caminhão assaltado no dia anterior. A PM os deteve por desacato e por terem dificultado as buscas. Eles passaram a tarde na companhia à espera da delegada plantonista Lúcia Custódio, que lavrou o flagrante e depois os liberou mediante pagamento de fiança. Ela confirmou que dois deles tinham perfurações nas orelhas.

mockup