Governador do Pará critica CPI do Narcotráfico
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de dezembro de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 12 (AE) - O governador em exercício do Pará, Hildegardo Nunes (PTB), acusou a CPI do Narcotráfico de estar movendo uma campanha nacional contra seu Estado. Ele classificou como "baixo, politiqueiro e com o objetivo de prejudicar nossos prefeitos", o trabalho realizado por membros da comissão em Belém. No Estado, a CPI ouviu 17 pessoas apontadas pela Polícia Federal como envolvidas com o tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e montagem de firmas de fachada no Pará.
Durante a tomada de depoimento dos acusados, o deputado Pompeu de Mattos (PDT-RS) afirmou que 40 prefeituras paraenses, localizadas principalmente nas regiões sul e sudeste do Estado, fariam parte de um suposto esquema de lavagem de dinheiro das drogas, contratando obras de empresas pertencentes aos fazendeiros Leonardo Mendonça e Wilson Torres, apontados pela PF como os maiores transportadores de cocaína do Brasil para o exterior. CPI - A irritação do governador com a CPI foi manifestada ontem, durante uma festa de confraternização de final de ano da qual Nunes era o convidado de honra da Associação dos Municípios do Araguaia e Tocantins (Amat), que reúne 32 prefeitos do sul e do sudeste paraense. "Não posso ficar calado vendo um deputado do sul do País, (Pompeu de Mattos) vir ao Pará fazer essas acusações. Vamos dizer a ele que não acobertamos tráfico, lavagem ou corrupção", resumiu o governador, sob aplausos dos prefeitos.
O prefeito de Marabá, Geraldo Veloso (PSDB), acrescentou nunca ter visto sequer um cigarro de maconha em sua vida. E arrematou: "Vou a Brasília ou seja lá onde for para olhar na cara desse deputado e dizer a ele que sou um homem honrado". Em Belém, Leonardo Mendonça disse que a PF está "prendendo as pessoas erradas" e se disse uma "vítima da mídia".


