O governador Jaime Lerner afirmou ontem de manhã em Brasília, onde participava da Convenção Nacional do PFL, que o governo ‘‘tinha assumido o compromisso de cumprimento às reintegrações de posse e está cumprindo a lei’’. À tarde, em Castro, Lerner voltou a falar sobre o assunto. ‘‘Nós estamos agindo sempre com cuidado, respeitando as opiniões, fazendo a boa mediação. Esta é a maneira correta e é assim que o governo vem atuando. Primeiro, o desarmamento de todos os lados, de todas as correntes, e esperamos que a situação se resolva com harmonia’’. Mas Lerner fez também uma advertência ao MST: ‘‘Nós não vamos permitir invasões de áreas produtivas.’’
A seccional paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) anunciou a criação da Comissão de Segurança Pública, que terá a tarefa de receber e analisar denúncias de violências praticadas no campo. O presidente da entidade, Edgard Luiz Cavalcanti de Albuquerque, cobrou uma postura mais atuante do governo federal para agilizar a reforma agrária. A OAB afirmou sua aprovação ao cumprimento dos mandados de reintegração de posse, mas alertou para a preservação dos direitos individuais dos sem-terra.
Em nota oficial, a União Democrática Ruralista (UDR) elogiou o governador, afirmando que ‘‘todas as iniciativas que mostrem a disposição do atual governo de realmente resolver o problema da reforma agrária no Paraná receberão o apoio e a colaboração desta entidade’’. A UDR reivindica as desocupações ‘‘para que a classe ruralista possa continuar com seu trabalho de produzir o alimento do País’’.
Manifestantes pró-MST se reuniram na Boca Maldita, no centro de Curitiba, para protestar contra a ação da PM. O fórum ‘‘Terra, Trabalho e Cidadania’’, que congrega sindicatos, partidos políticos e organizações não-governamentais, estendeu no calçadão da Boca cruzes brancas para simbolizar os 38 agricultores assassinados no Paraná nos anos 90 por causa de conflitos agrários.
Um panfleto distribuído à população classificava as ações do governo do Estado de serem ‘‘mais uma ofensiva de violência e terror contra famílias que lutam por um pedaço de terra para plantar e tirar o seu sustento’’.

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