Rio, 06 (AE) - O governador Anthony Garotinho (PDT) deverá sancionar amanhã (07) à noite, em uma festa no Canecão, projeto de tombamento do prédio onde funciona a mais tradicional casa de espetáculos da cidade, aprovado na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A partir da sanção nenhuma obra poderá ser feita no Canecão sem autorização do governo.
Mas a decisão não encerra a disputa entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), proprietária do imóvel, e os administradores do Canecão, que terão de desocupar o prédio até 1º de novembro, conforme notificação de despejo expedida pela Justiça Federal .
O reitor da UFRJ, José Henrique Vilhena, pediu a desocupação da casa no dia 15 de junho, alegando que os donos do Canecão estariam devendo mais de R$ 2 milhões em taxa de ocupação. Inaugurado há trinta e dois anos, o Canecão ocupa 4 mil metros quadrados do câmpus da UFRJ na Praia Vermelha, na zona sul do Rio. De acordo com informações da Universidade, o contrato de locação do terreno terminou em 1996, quando as duas partes não chegaram a um acordo para a renovação.
Nessa época, o Canecão estaria disposto a pagar R$ 10 mil por mês por uma taxa que valeria, pelos cálculos da UFRJ, até R$ 50 mil. A direção do Canecão afirma, porém, que os aluguéis estão sendo depositados em juízo, "no exato valor devido". O sócio da casa de espetáculos, Mário Priolli, acusa o reitor da UFRJ de se negar a renovar o contrato de aluguel. Priolli diz depositar cerca de R$ 11.800 mensalmente, já que "R$ 50 mil é um valor absurdo". Ele afirma já ter pago cerca de R$ 850 mil.
Durante a seção na Alerj, a bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) e a deputada Solange Amaral (PTB) negociaram um substitutivo ao projeto e conseguiram ampliar o tombamento à área que integra o câmpus da UFRJ. Dessa forma o terreno, atualmente usado para aulas de Educação Física da Universidade, não poderá ser adulterado.

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