BRASÍLIA - O governador do Distrito Federal, Cristóvam Buarque, decretou ontem luto oficial de três dias em função da morte do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos. Mas as diversas comemorações e até mesmo o show com o cantor Alceu Valença, previsto para ontem à noite, em comemoração aos 37 anos de fundação de Brasília, não foram cancelados. Cristóvam participou de todos os eventos previstos na programação mas avisou que não iria ao show em função do assassinato do índio pataxó.
Segundo o secretário de Comunicação do DF, Luiz Gonzaga Mota, o governador soube da morte do índio no começo da manhã de ontem e, em seguida, assinou o decreto de luto oficial. ‘‘Não dava mais para cancelar a programação’’, afirmou Mota, argumentando que os artistas já estavam na cidade e os maratonistas já tinham largado quando o governador soube da morte. O governador afirmou que a decretação do luto é importante ‘‘para que Brasília mostre ao Brasil que estamos unidos na condenação do fato’’. ‘‘E estamos com vergonha de que tenha acontecido.’
O governador classificou o episódio como um ‘‘fato de um Brasil que está apostando numa sociedade partida’’. Para Cristóvam, o Brasil possui uma sociedade dividida entre a classe média e alta e os pobres e excluídos. ‘‘Algumas pessoas da classe média e alta começam a desconfiar tanto, começam a tratar de maneira tão discriminatória os pobres e excluídos, que já nem tratam eles como semelhantes’’, disse o governador.
Impunidade Único promotor de Justiça que conseguiu mandar para a prisão jovens da classe média do Distrito Federal condenados por assassinato, Francisco Leite reconheceu ontem que a legislação em vigor favorece a impunidade da chamada ‘‘elite’’ da sociedade. Segundo ele, o ‘‘azar’’ dos cinco rapazes que atearam fogo e mataram o índio pataxó Hã-Hã-Hãe Galdino Jesus dos Santos é que existe um agravante jurídico e social no episódio, por se tratar de um indivíduo tutelado pelo Estado. ‘‘A sociedade vai ser mais exigente na cobrança da Justiça’’, previu.

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