Rio, 03 (AE) - O governador Anthony Garotinho (PDT) anunciou hoje, em seu programa de rádio, a demissão de cinco médicos que faltaram ao plantão desta Sexta-Feira Santa no Hospital Carlos Chagas,no Rio. O governador visitou hoje pela manhã o Carlos Chagas, onde dezenas de pessoas fizeram filas e houve tumulto na madrugada. A diretora do hospital, Angela Aranda, informou que o atendimento foi normalizado pela manhã. "Às 8h de hoje, na virada do plantão, a equipe ficou completa, com 20 médicos", informou.
O hospital estadual havia tido sua gestão privatizada no governo passado e voltou ao controle estadual. Na semana passada sete médicos do Hospital Getúlio Vargas faltaram e foram afastados. Para Garotinho, as faltas foram articuladas por cooperativas que controlavam os hospitais e resistem à "desprivatização".
O secretário da Saúde, Gilson Cantarino, considerou as faltas absurdas. "Pagamos aos médicos R$ 1.500 por um plantão de 24h por semana, não tem desculpa para faltar." A diretora do Carlos Chagas disse que, apesar das faltas, 611 pessoas foram atendidas ontem.
Desde o início do governo, os hospitais cuja gestão fora privatizada apresentam problemas. Os salários dos médicos estava atrasado desde dezembro. Na semana passada, Garotinho anunciou o pagamento de parte dos atrasados, mas diretamente aos profissionais, sem passar pelas cooperativas. "Encontramos os hospitais sem médicos, sem remédios e até sem rotinas de trabalho", disse ele. "Tivemos muito trabalho para tirar a máfia da saúde."
Garotinho disse que a falta dos sete médicos do Getúlio Vargas foi combinada "num churrasco do sítio do dono da cooperativa" que o administrava e também denunciou o caos do Hospital do Iaserj, que visitou de surpresa na semana passada. "Os laboratórios não funcionam, os aparelhos de raios-X não funcionam, o banco de sangue está interditado e a UTI foi privatizada", disse o governador, que acusou o governo passado de ter abandonado a unidade. Seu novo diretor, Luiz Carlos Moreira, disse que a administração passada deixou R$ 50 milhões em dívidas.

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