Governador demite coordenador de Segurança; Soares denunciou banda podre da polícia17/Mar, 18:30 Por Murilo Fiuza de Melo e Adriana Ferreira Rio, 17 (AE) - O governador do RJ, Anthony Garotinho, exonerou hoje, pela televisão, o coordenador de Segurança e Cidadania do Estado, Luiz Eduardo Soares. Em entrevista ao vivo pela manhã ao telejornal RJ-TV, da Rede Globo, Garotinho disse que Soares passou dos limites ao procurar a imprensa para denunciar publicamente a suposta participação da chamada "banda podre" da Polícia Civil em cargos de chefia da corporação sem consultar o governador e o secretário de Segurança, coronel Josias Quintal. "Ele não está saindo por causa de suas idéias, porque elas também são as minhas, mas agora não posso conviver com uma quebra de hierarquia e um conflito entre o coordenador e o secretário", afirmou o governador, alegando que só usou a televisão para demitir o auxiliar porque não ter conseguido encontrá-lo antes. Soares estava em São Paulo, onde participava de uma palestra na Universidade de São Paulo (USP). Após a entrevista, o governador disse que a decisão de demitir Soares foi tomada após um encontro, pela manhã. com coronel Josias Quintal, no Palácio Guanabara. Na reunião, o secretário revelou que não havia mais "clima de trabalho" entre ele e Soares. Quintal disse que a permanência do coordenador significaria um "fator de desestabilização permanente" na Secretaria de Segurança. À tarde, em coletiva no Palácio Guanabara, Garotinho mostrou uma gravação da conversa telefônica entre ele e Soares, pelo telefone vermelho do Palácio Guanabara, na qual comunica sua decisão ao auxiliar. Na gravação, de poucos minutos, Soares deseja "boa sorte" a Garotinho em sua administração. Sociólogo e antrólogo, Luiz Eduardo Soares era considerado um dos mentores da política de segurança de Garotinho, com quem escreveu o livro "Violência e Criminalidade no Estado do Rio de Janeiro", apresentado como programa de governo para a área, durante a campanha eleitoral. Cabia a Soares implantar na polícia projetos voltados para a preservação dos direitos humanos, com o apoio de organizações não-governamentais, que pretendiam mudar a imagem ruim da corporação. Solidariedade - Em solidariedade ao coordenador, cerca de 30 pessoas que trabalhavam em programas de apoio técnico tocados por Soares pediram demissão, entre eles a ouvidora de Polícia, Julita Lemgruber. "Lamento muito o que aconteceu, até porque o Luiz Eduardo foi um aliado de primera hora do governador, mas a medida que o líder da minha equipe é demitido, eu também não posso ficar", disse Julita. A ex-ouvidora reforçou a denúncia de Soares de que as corregedorias das polícias Civil e Militar não investigam por causa do corporativismo. Segundo ela, em um ano, foram encaminhadas aos dois órgãos 1.988 denúncias - a maioria de extorsão - contra policiais, mas apenas 117 sofreram algum tipo de punição. "Temos sindicância sumárias instauradas na Polícia Civil desde maio, mas que ainda não terminaram", afirmou. "O Rio deveria seguir o modelo do Ceará, onde só há uma corregedoria comandada por um juiz." Com o saída de Soares, o coronel Josias Quintal SE fortaleceu. Agora, segundo o governador, ele irá acumular a Secretaria e a coordenadoria de Segurança Pública. Garotinho garantiu ainda que a sua política de segurança seguirá a mesma linha. Comissão - No fim da tarde, ele anunciou oficialmente o início dos trabalhos da comissão especial que investigará, com a ajuda do Ministério Público, as 20 denúncias apresentadas por Soares contra a banda podre da Polícia Civil.

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