Governador de Illinois defende fim do embargo a Cuba
Havana, 26 (AE-AP) - O governador de Illinois, George Ryan, disse, após reunir-se com dissidentes do regime cubano em Havana, ser favorável ao levantamento das sanções econômicas impostas por Washington contra Cuba há quatro décadas.
Ryan, primeiro governador americano em funções autorizado a visitar a ilha desde 1959, ressaltou, porém, que essa posição não significa apoio ao regime do presidente cubano, Fidel Castro.
Segundo o governador, os dissidentes disseram a ele que "o maior problema de Cuba é Fidel".
"Quarenta anos de um regime comunista deixaram suas marcas", afirmou Ryan, após o encontro com os dissidentes. Entre os anticastristas estavam Elizardo Sánchez - o mais proeminente opositor do regime na ilha -, Jesús Yañez, Osvaldo Payon, Mercedes Moreno e Manuel David Corrio.
A reunião teve lugar na casa da diretora do Escritório de Interesses dos EUA em Havana, Vicki Huddleston.
"Os dissidentes com os quais conversei foram unânimes em considerar que o levantamento do embargo econômico seria uma medida muito apropriada", relatou Ryan. "Entre os embaixadores estrangeiros com quem conversei em Havana, também é frequente a opinião de que as sanções econômicas causam grandes danos ao povo cubano e dá a Fidel o pretexto de que precisa para justificar as dificuldades econômicas da ilha."
A imprensa cubana, totalmente controlada pelo Estado, tem qualificado a viagem do governador de Illinois como um reflexo da crescente oposição nos EUA à política de restrição comercial imposta a Cuba pouco depois da chegada de Fidel ao poder.
Ryan, que é republicano, faz questão de esclarecer, contudo, que a visita se destina a "construir pontes" com o povo cubano e não com o regime que vigora em Cuba. A comitiva do governador é integrada por representantes de empresas que poderiam ser beneficiadas pelo levantamento do embargo.
"Penso que devemos romper a política de sanções econômicas e nos preparar para uma nova era de relação com os cubanos", opinou Michael Madigan, presidente da Câmara de Representantes (assembléia legislativa) de Illinois. No começo do ano, os parlamentares estaduais aprovaram uma moção pedindo o fim das medidas de represálias econômicas contra Cuba.
Os apelos contra as sanções, no entanto, não têm sensibilizado a maioria dos parlamentares de Washington, sobretudo os representantes da colônia de exilados cubanos da Flórida, os deputados Lincoln Díaz-Balart e Ileana Ros-Lehtinen, para os quais a pressão deve até mesmo se intensificar para convencer Fidel a aplicar reformas democráticas no país de 11 milhões de habitantes.





