Governador de Buenos Aires teme nova desvalorização do real
Governador de Buenos Aires teme nova desvalorização do real15/Mar, 15:59 Por Ariel Palacios Buenos Aires, 15 (AE) - O governador da província de Buenos Aires, Carlos Ruckauf, declarou que quer "novas regras de jogo para o Mercosul". As afirmações do governador da maior e mais poderosa província da Argentina foram feitas durante uma reunião de gabinete e publicadas pelo jornal La Nación. Segundo o jornal, Ruckauf teria dito a seus assessores que "a pressão que os governadores brasileiros fazem sobre o governo federal poderá causar uma nova desvalorização do real". Para o governador, isso seria um "golpe mortal" à economia argentina, que "está tentando sair da crise provocada pela anterior desvalorização". Ruckauf disse que se a desvalorização se concretizar, o presidente Fernando de la Rúa teria que "denunciar o Tratado de Assunção e exigir novas regras de jogo para o Mercosul". Em declarações à imprensa nesta quarta-feira, o governador deu conselhos a seus colegas do Brasil: "esses subsídios não fazem bem aos estados brasileiros, já que com eles, seus déficits fiscais ficarão maiores ainda". Ruckauf também analisou a política interna: "FHC tem conflitos monstruosos com seus governadores". Há duas semanas, Ruckauf causou polêmica ao afirmar que boicotaria empresas argentinas que emigrassem parcial ou completamente para o Brasil por causa dos subsídios fornecidos pelos estados brasileiros. Ele criticou a visita de governadores brasileiros que vieram buscar investidores argentinos afirmando que "um amigo não pode entrar na casa do vizinho para roubar sua cama e abajur". Ruckauf também disse que o êxodo de empresas causava desemprego, e referiu-se à invasão brasileira de 1827 comparando "as balas dos soldados brasileiros que matavam os colonos argentinos" com a política de subsídios estaduais, "que provocam a morte pela fome". Na sua mobilização geral para segurar indústrias no país, Ruckauf acaba de assinar um decreto que revoga uma licitação vencida por uma empresa de Taiwan, a favor da última fábrica existente de seringas plásticas do país, a Instruequipos SA, que recentemente havia ameaçado partir para o Brasil. A medida foi interpretada como um show para a mídia já que, na própria Instruequipos, ninguém havia sido informado da decisão que os favorecia. Analistas consideram que a decisão causará desconfianças sobre a segurança jurídica na província. Além disso, o governador afirmou que nos próximos dias enviará à Assembléia Legislativa de Buenos Aires seu projeto de "compre produtos argentinos". Este projeto estipula a preferência de compras de produtos made in Argentina, mesmo que sejam até 5% mais caros que seus similares. Especula-se estender a margem até 10%. No governo federal, discordam dos métodos de Ruckauf para evitar a mudança de empresas ao Brasil. "É uma medida antiquada", declarou à imprensa o vice-chanceler Horacio Chighizola. Segundo ele, se um produto importado desloca do mercado um produto local, e não existe dumping, o Estado não pode intervir. Além disso, em vez de seguir o limitado "compre produtos argentinos" de Ruckauf, o vice-chanceler afirmou que o governo federal pretende elaborar esta semana um projeto de "compre produtos do Mercosul". Desta forma, produtos e serviços de empresas dos países-sócios do Mercosul teriam vantagens sobre os similares de empresas de fora do bloco comercial.





