Governador critica atuação do Incra
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segunda-feira, 11 de agosto de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) escancarou, ontem, sua insatisfação com a forma que o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná, Celso Lisboa de Lacerda, vem conduzindo a política fundiária no Estado. Requião chegou a afirmar, durante reunião com o secretariado, que Lacerda estaria fazendo ''jogo duplo'', ficando ao lado do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e, ao mesmo tempo, dos ruralistas e ameaçou pedir, junto ao governo federal, a substituição do representante do órgão.
Com essa postura, o superintendente, segundo o governador, estaria dificultando as desocupações de áreas com reintegração de posse concedida pela Justiça. ''O superintendente fica de bem tanto com os sem-tera, quanto com os proprietários das fazendas, e nos coloca numa situação difícil. Estão brincando conosco e nós não vamos mais aceitar esse jogo'', disse Requião. Segundo o governo, já foram promovidas 13 reintegrações de posse, de forma pacífica, das 26 ocupações feitas este ano pelo MST no Paraná.
A assessoria de imprensa de Requião disse que as declarações do governador teriam sido apenas uma ''observação divergente em relação ao que ele considera uma política equivocada''. O governador, informou a assessoria, não está satisfeito com a lentidão da reforma agrária no Estado.
Lacerda se defendeu dizendo que não está fazendo ''jogo duplo'', mas seguindo a postura do governo Lula, que quer reforma agrária pacífica, e sendo franco e aberto tanto com os sem-terra, como com os ruralistas. ''Sou defensor da reforma agrária, senão não estaria no Incra'', declarou.
Quanto à demora nos processos de desapropriação, Lacerda afirmou que está apenas cumprindo a legislação existente, cujos prazos são de, no mínimo, oito meses. O superintendente deixou claro que não pode resolver de uma hora para outra o problema da falta de áreas para assentamento e admitiu que o Paraná não terá terras desapropriadas este ano. ''O Incra não tem o que ofertar porque nos últimos três anos a reforma agrária no Paraná ficou parada'', acrescentou. Ele lembrou que até o final do ano serão concluídas 350 vistorias.
O secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, concedeu ontem, a pedido Incra e MST, mais uma semana de prazo para uma definição sobre a Fazenda Baronesa dos Candiais 2, em Luiziana. A propriedade foi invadida em 28 de abril por cerca de 240 famílias sem-terra. Celso de Lacerda se comprometeu a fazer um levantamento completo sobre a fazenda. A operação policial de desocupação da propriedade está suspensa.


