Curitiba - A Polícia Federal (PF) informou ontem que não vai comentar as declarações feitas pela direção da Sanepar e pelo governador Beto Richa, criticando a Operação Iguaçu - Água Grande, e apenas vai dar continuidade aos trabalhos de investigação já iniciados.
A ação foi desencadeada na quinta-feira e investiga o despejo de esgoto não tratado em rios da bacia hidrográfica do Paraná, em especial no Rio Iguaçu. Por conta disso, o Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama) já multou a Sanepar em cerca de R$ 38 milhões e novas infrações já teriam sido constatadas.
Ontem pela manhã, durante um evento comemorativo ao Dia da Árvore, no Palácio Iguaçu, em Curitiba, o governador Beto Richa disse que se sente no direito de ''desconfiar'' da operação. Ele levantou suspeitas quanto ao fato dos resultados da investigação terem sido divulgados a duas semanas das eleições municipais e em um período em que os agentes da PF estão em greve.
''Pela forma como foi deflagrada essa operação posso imaginar que houve outros objetivos que não o real poder de investigar com números e documentos'', disse. Para ele, a imagem da PF pode ficar manchada por conta desta operação, classificada como ''policialesca''. ''Tenho respeito pela Polícia Federal, mas não posso admitir este tipo de atitude tomada sem nenhum critério, que pode vir a macular a imagem da corporação'', afirmou.
Flagrante
De acordo com a PF, sete pessoas foram detidas em flagrante no início da noite de quinta-feira, no momento em que caminhões do tipo limpa-fossa despejavam dejetos no Rio Iguaçu, na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Belém, localizado na BR-277, na região da Capital. O flagrante ocorreu após o delegado responsável pelas investigações, Rubens Lopes da Silva, ter solicitado a uma equipe para retornar à ETE para fazer a coleta dos últimos materiais que seguiriram para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista, para análise.
No momento em que os policiais chegaram ao local, encontraram os caminhões descarregando dejetos. Todos foram conduzidos para a Superintendência da Polícia Federal do Paraná. Segundo o órgão, seis motoristas e o gerente da ETE Belém foram ouvidos e liberados.
A Sanepar esclareceu, por meio de nota, que havia três caminhões (um da Sanepar e dois de empresas privadas) despejando seu conteúdo na ETE Belém para ser tratado, ''o que é rotina''. ''A empresa mantém contrato com empresas privadas de limpa-fossa para que despejem seus caminhões na Estações, para que recebam o tratamento adequado''.

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