São Paulo, 20 (AE) - O deputado federal Delfim Netto afirmou hoje que o governo federal precisa fixar a imagem de que é "maníaco" pela exportação. Segundo ele, tentar fazer o desenvolvimento antes de providênciar o crescimento da economia não dará resultados. "A questão é que depois de 6 a 8 meses de crescimento, as exportações começam a crescer, esse é o processo
ao invés de maníaco do parque, tem que ser maníaco da exportação", disse. Na avaliação do ex-ministro, a estratégia econômica deve passar pela recuperação da capacidade do setor exportador e pela ajuda às indústrias na recuperação de capital de giro. "Que foi destruído por quatro anos e meio de uma política insensata que valorizou o câmbio".
Entre as formas concretas que o governo poderá adotar no auxílio ao setor exportador, segundo Delfim, está a suspensão da cobrança do Cadin, por um a três anos. "O governo tem que devolver às pessoas as condições de trabalho e não seguir a brilhante solução de acabar com a inadimplência matando o inadimplente", comentou. Além de reativar a exportação e retomar a ajuda aos setores penalizados (agricultura, indústria e comércio), o deputado federal avalia que a solução da crise passa por tranquilizar a sociedade em relação a atuação do Congresso Nacional. "Aquilo é um teatro kabuki, usam mascáras, mas ninguém se atira no precipício, ninguém rasga nota de 500", disse.
O parlamentar críticou os ministros e a base aliada do governo por não tomarem a frente das discussões políticas. "Normalmente, o presidente é um ser protegido, os seus ministros é que vão para a frente. Ministro é para ser esmerilhado não para ser protegido". Para ele, o que está ocorrendo é uma inversão de papéis com Fernando Henrique Cardoso precisando ir a frente porque não há outro que assuma esse papel.

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