Govcerno anuncia reajuste do preço da nafta
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domingo, 21 de fevereiro de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 22 (AE) - O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera, anunciou hoje que o governo vai aumentar o preço da nafta, que vinha sendo mantido estável desde a desvalorização cambial. A autorização do repasse dos custos da queda do real frente ao dólar é uma reação do governo à decisão das indústrias petroquímicas de aumentar seus preços entre 20% e 25%.
"Se eles pretendem praticar esses preços, não tem sentido continuar bancando a desvalorização", afirmou Considera
que passou a tarde reunido com representantes da indústria petroquímica. "Vamos reduzir parte da margem de lucro deles." Não está definido ainda de quanto será o aumento, nem quando ele entra em vigor, mas, segundo o secretário, para manter estável o preço da nafta, o governo vinha perdendo cerca de R$ 50 milhões por mês. O governo estuda também uma redução na alíquota de importação dos produtos petroquímicos, como forma de aumentar a competitividade do setor.
De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria de Resinas Sintéticas de São Paulo, Jean Daniel Peter, o aumento no preço das principais resinas plásticas foi necessário para evitar um desequilíbrio entre os preços do mercado externo e interno. Segundo ele, se não houvesse o reajuste, a resina brasileira seria baratíssima em relação à produzida no resto do mundo. "Isso geraria um número recorde de exportações, que poderia levar ao desabastecimento interno, além de criar um movimento especulativo irreal", explicou. "O aumento foi feito para regular a oferta." Peter afirmou ainda que o aumento será fixo por noventa dias, o que daria ao governo a garantia de que o setor não aumentaria ainda mais seus preços logo após o aumento da nafta. "Eles garantiram que praticam preço de mercado e que não vão aumentar", afirmou Considera. Segundo Peter, o aumento não contribui para a inflação. "70% de nossos produtos são usados para embalagens, onde o custo da resina não chega a 3% do custo do produto final", afirmou. "O impacto se dilui."


