São Paulo, 07 (AE) - O presidente da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), Goro Hama, afirmou hoje que parecer produzido pelo procurador-geral de Justiça, Luiz Antonio Marrey, o isenta da prática de irregularidades no contrato com a Companhia de Seguros Gerais do Estado (Cosesp) para cobertura de financiamentos de casas populares. "O Marrey fez suas considerações alegando que não havia crime do nosso lado", disse Goro, em Matão, no interior de São Paulo, durante festa de inauguração da duplicação de um trecho da Rodovia Faria Lima, que foi privatizada. Mas Goro Hama está equivocado.
A afirmação não confere com o conteúdo do despacho do procurador-geral, publicado no dia 22, no "Diário Oficial" do Estado (DOE). Ao contrário do que afirma o presidente da CDHU, Marrey determinou a remessa de documentos sobre o negócio com a Cosesp à Promotoria de Justiça da Cidadania da capital - órgão que investiga improbidade administrativa e danos ao patrimônio público - e à Central de Inquéritos Policiais e Processos do Ministério Público (MP), "para eventuais providências por uma das promotorias criminais".
Marrey mandou investigar "possível falsidade material e ideológica" contida em correspondência supostamente emitida pela CDHU à Cosesp, em março de 1997, indicando o nome da Inter Corretora de Seguros para intermediar o negócio que teria causado prejuízo de R$ 2,26 milhões ao patrimônio público. O despacho afasta apenas eventual responsabilidade do governador Mário Covas (PSDB). "Os elementos até aqui conhecidos não apontam para as hipóteses do Artigo 116 da Lei Complementar 734/93 (Lei Orgânica do Ministério Público)", ressaltou o procurador-geral. Os documentos que Marrey mandou redistribuir haviam sido encaminhados a ele pela Secretaria de Governo e Gestão Estratégica do Estado.
Ainda hoje, a assessoria de Hama divulgou nota sustentando que "a CDHU, sua diretoria e seu presidente não têm nada a ver com esses fatos e podem provar". Segundo a nota, a "folha onde existe a fraude com a indicação da corretora foi exaustivamente periciada". Os peritos Sebastião Edison Cinelli e Gláucia Tacla "garantem que houve a fraude e que não foi cometida na CDHU". A CDHU junta na defesa parecer do corregedor-geral do Estado, promotor Saulo de Castro Abreu Filho: "Conclui-se que a inserção fraudulenta foi elaborada muito provavelmente na Cosesp em conluio com a Inter Corretora."