Gordura recuperada após cirurgia do estômago
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de julho de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Pesquisa feita por um grupo multidisciplinar do Hospital de Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que parte dos pacientes submetidos à cirurgia bariátrica de redução do estômago voltam à condição de obesidade depois de cinco anos ou mais após à intervenção. Os estudos apontaram, também, o surgimento de outros distúrbios como alcoolismo, anorexia, bulimia, bruxismo, aumento excessivo de cáries e dentes quebradiços (ver texto na página).
O objetivo do estudo, ainda em andamento, é demonstrar que só a cirurgia, que é feita no hospital há nove anos, não basta para o sucesso do tratamento utilizado para a diminuição drástica do peso. O HC utiliza a técnica Fobi-Capella que, além da redução do estômago, prevê o desvio de parte do intestino delgado.
Entre os 53 pacientes pesquisados, 58,5% ganharam mais que dez quilos, 39,6% mais de vinte quilos e 13,2% engordaram mais de trinta quilos. Somente 7,84% dos pacientes mantiveram o peso ideal ou emagreceram demasiadamente (nos casos de bulimia e anorexia). O normal é o paciente recuperar até dez quilos depois de emagrecer a quantidade almejada.
A psicóloga da USP Marlene Monteiro da Silva destacou que do grupo de pacientes que foi operado entre cinco e nove anos atrás, 13% voltaram a um estado de obesidade mórbida, com um índice de massa corpórea (IMC) superior a 40. O IMC é obtido dividindo-se o peso da pessoa pela altura ao quadrado. No total, 64,15% voltaram a ser obesos, com um IMC maior que 30.
Os dados não são conclusivos, uma vez que os estudos ainda estão em andamento. ''Mas não deixa de ser um alerta a pacientes e médicos: a cirurgia não deve ser entendida como uma fórmula mágica'', acrescentou Marlene.
Para o médico e coordenacor do grupo, Bruno Zilberstein, a explicação para 18% dos pacientes estudados pela USP terem passado a beber excessivamente, é a troca de uma compulsão por outra: alimentos por álcool. Por isso, ele defende o acompanhamento pós-operatório.
''A pessoa passa a comer menos porque o estômago não admite maior volume de alimento, e não porque tenha deixado voluntariamente o hábito de comer em grandes quantidades'', observa o médico Joel Faintuch. Os retrocessos na perda de peso, segundo ele, vêm também pelo fato de o estômago operado ainda ter a capacidade de se dilatar, ''podendo ampliar seu volume em até quatro vezes''.
O Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) faz a cirurgia bariátrica desde 2001, utilizando a mesma técnica do HC de São Paulo. A responsável pelo setor do HC de Curitiba, Solange Cravo Bettini, relatou que, os cerca de 250 pacientes operados de 2001 para cá, perderam, em média 66% do excesso de peso com a intervenção. Ela estima que, em geral, eles recuperam de 10% a 20% do peso, em um período de três a quatro anos após a cirurgia.


